Segurança pública vira tema de pré-candidatos em SP
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sábado, 12 de fevereiro de 2000
Por Flávio Mello 
São Paulo, 12 (AE) - Os virtuais candidatos às eleições deste ano em São Paulo vão "municipalizar" a discussão sobre a segurança pública, apesar de o tema ser de competência exclusiva dos governos estaduais. Os políticos que devem disputar a eleição - Marta Suplicy (PT), Luiza Erundina (PSB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Collor (PRTB) -, disseram que o tema não só será debatido como já estão trabalhando em planos para tentar ajudar na diminuição dos índices de violência urbana.
"Com certeza, a segurança pública entrará no debate porque é um dos principais problemas apontados pela população", afirmou a virtual candidada do PSB, a ex-prefeita e deputada federal Luiza Erundina. A intenção da ex-prefeita é concentrar o efetivo da Guarda Civil Metropolitana no patrulhamento nas ruas da cidade, principalmente nas praças e nas escolas da rede pública. Numa etapa mais ambiciosa, Erundina quer incluir também as empresas de vigilância e segurança particular nessa parceria.
Uma das idéias é fazer com que a partir de um coordenação exercida pelos governos estadual e municipal os seguranças particulares entrem em comunicação direta com as Polícias Militar e Civil, para comunicar um conflito ou ação ilegal. No PT, a candidata Marta Suplicy também já definiu propostas. Se eleita, pretende aumentar o efetivo da guarda Civil Metropolitana para 8 mil guardas. "Isso deve consumir 1 9% da receita da cidade, mas acho que vale à pena porque vai ao encontro da expectativa da população", afirmou a candidata petista.
Marta explicou que a intenção é direcionar a ação para o patrulhamento, o que não significa policiamento ostensivo. Paralelamente ao investimento na Guarda Civil, Marta defende uma grande intervenção na paisagem urbana da cidade. Trata-se de investimento em iluminação pública, recuperação de praças e combate eficaz aos pichadores. Essas ações constam de um projeto batizado de "Belezura", com o qual pretende inibir "transgressões". "Ao não permitir as pequenas transgressões, evitaremos que as maiores ocorram", justificou Marta. Atuação conjunta - O vice-governador Geraldo Alckmin, virtual candidato do PSDB à sucessão paulistana, acredita que a principal ação do governo municipal para reduzir o índice de violência urbana é concentrar investimentos em programas sociais em bairros periféricos. Um dos principais objetivos de Alckmin é aplicar recursos na construção de áreas de lazer, recreação, programas de criação de renda e de qualificação profissional nos bairros mais violentos e carentes - como Jardim ¶ngela e Capão Redondo, na periferia da zona sul.
Com isso, o governo municipal estaria evitando que crianças e adolescentes sejam atraídos para atividades ilegais. "Ao investir na iluminação, o poder público melhora a condição de segurança das pessoas", afirmou o candidato tucano. Ele disse que a Guarda Civil pode ter uma atuação mais próxima da população e ter um efetivo maior. Responsabilidades - O ex-presidente Fernando Collor (PRTB), que continua confiante no sucesso de sua candidatura, defende mudança de atitude do futuro prefeito em relação a problemas de competência estadual e federal. Uma das propostas defendidas pelo ex-presidente é a ampliação do convênio entre a Prefeitura e o Estado, por meio do qual policiais militares cuidam das questões de trânsito na capital. Dessa forma, ampliaria o policiamento na capital em parceria com a Guarda Civil.
Ele disse que, ao mesmo tempo, estimularia abertura de novos postos de emprego. A proposta é conceder redução do Imposto sobre Serviços de Quaquer Natureza (ISS) para empresas que recontratarem funcionários - quanto mais velho o empregado, maior o benefício. Tema obrigatório - O cientista político Fernando Abrúcio disse que a discussão do tema segurança nas eleições municipais deste ano já era esperada. Isso porque os problemas nos grandes centros urbanos aumentaram nos últimos anos. "Como a violência é muito visível nas grandes capitais, os candidatos terão de falar sobre esse tema", justificou Abrúcio.


