Segurança no Rio não protege moradores nem policiais, diz Anistia Internacional
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domingo, 20 de novembro de 2016
Agência Estado 
A Anistia Internacional divulgou nota neste domingo condenando a política de segurança pública implementada no Estado do Rio de Janeiro. Segundo o comunicado, o governo tem falhado em proteger a vida tanto dos moradores quanto dos agentes de segurança pública.
"As operações policiais no Rio de Janeiro seguem um padrão de alta letalidade, deixando centenas de pessoas mortas todos os anos, inclusive policiais no exercício de suas funções. Em geral, são operações altamente militarizadas, que seguem uma lógica de guerra (neste caso, guerra às drogas), que enxerga as áreas de favelas e periferias como territórios de exceção de direitos e que resultam em inúmeros outros abusos além das execuções, tais como invasão de domicílio, agressão física e verbal, e cerceamento do direito de ir e vir", diz a nota da organização não governamental.
A divulgação do comunicado foi motivada pelo confronto na comunidade de Cidade de Deus, na zona oeste do Rio. Quatro policiais militares morreram na queda de um helicóptero em meio a um tiroteio na favela, neste sábado (19). Neste domingo, os corpos de sete jovens foram encontrados no interior da comunidade, após uma operação policial.
"Até às 14h deste domingo, são pelo menos 11 mortos na operação policial na Cidade de Deus, mas moradores relatam a possibilidade de que ainda existam outros", alerta o texto da entidade.
O documento afirma ainda que outras operações policiais e disputas entre grupos criminosos resultaram em tiroteio na capital durante todo o fim de semana. "A Anistia Internacional pede que as autoridades do Rio de Janeiro repensem urgentemente a política de segurança pública que está sendo implementada e adotem medidas urgentes para garantir que as operações policiais respeitem os direitos humanos e garantam a segurança de todas as pessoas", diz o documento.
Sem necessidade
O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Roberto Sá, agradeceu a ajuda da Força Nacional, oferecida pelo Ministério da Justiça ao governo fluminense, mas informou que, por enquanto, a mobilização dos agentes federais não é necessária. A informação foi divulgada pela assessoria do secretário.
Sá participou na tarde deste domingo do velório coletivo, no Batalhão de Choque, no centro do Rio, de três dos quatro policiais militares mortos ontem na queda do helicóptero na comunidade Cidade de Deus, zona oeste da capital fluminense.
O Ministério da Justiça ofereceu ao governo do Estado do Rio de Janeiro a ajuda de agentes da Força Nacional para prestar apoio à segurança pública, sobretudo no policiamento da comunidade onde caiu o helicóptero. O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, informou que está acompanhando os fatos ocorridos no Rio e que vem mantendo contato direto e constante com o secretário Roberto Sá.
"O ministro também colocou à disposição do governo local o efetivo da Força Nacional que está na cidade, para prestar apoio na segurança pública da Cidade de Deus", divulgou o ministério, em nota.


