Rio, 25 (AE) - Uma passeata de desempregados expôs hoje a fragilidade do esquema de segurança que já deveria cercar o Museu de Arte Moderna, onde vai se realizar a conferência de chefes de estado e de governo. Os cerca de 900 ex-funcionários da Fundação Nacional de Saúde, demitidos no início do mês por ordem do ministro da Saúde, José Serra, só não entraram no MAM pela porta principal, até então desguarnecida de PMs, porque não quiseram. A cerca de 100 metros da entrada, resolveram interromper a marcha.
"Foi o bom-senso que os fez parar ali e passar o recado", explicou Welington Farias, assessor da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Contratados da Fundação Nacional de Saúde no Rio de Janeiro. "Mesmo porque viram que a imprensa vinha correndo." Não só ela: houve intenso corre-corre de policiais militares para rapidamente formar um cordão de isolamento à frente dos ativistas, que gritavam palavras-de-ordem como "Queremos trabalhar/FH não quer deixar" e "Sou mata-mosquito, eu sou/a dengue está aí/e o Serra quer me demitir", além de cantarem o Hino Nacional.
Os cerca de 6 mil ex-funcionários da FNS foram demitidos em 4 de junho e desde então têm feito passeatas e manifestações. Hoje, estiveram em audiência na Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa, na Praça 15, de onde resolveram sair em caminhada até o MAM. A informação foi amplamente divulgada na porta da Alerj aos manifestantes, na presença de policiais militares que acompanhavam o ato. Mesmo assim, a chegada da passeata ao Museu de Arte Moderna foi uma surpresa para a segurança, que teve que correr para barrar o seu caminho.
"A intenção do movimento não é fazer baderna", disse Farias. "Antes, avisei que não valia a pena invadir o MAM, porque seria negativo para o movimento, queríamos apenas passar o nosso recado." Os manifestantes sentaram-se no gramado e permaneceram por cerca de 40 minutos no local, sem incidentes.
Falhas - Enquanto se desenrolavam reuniões preparatórias para a Cimeira, outras falhas no esquema de segurança puderam ser vistas. Funcionários dos órgãos de imprensa que cobrem o evento circulavam livremente sem crachás de identificação e sem serem abordados pelos seguranças. Pacotes fechados, que eles levavam, não foram revistados.
De manhã, foi realizada por peritos da Polícia Federal uma varredura no prédio do MAM. Munidos de espelhos e lanternas, eles vasculharam a sala de reuniões, corredores e até bueiros do museu, entre 7h e 8h. Nada foi encontrado.

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