Segurança diz que entregou R$ 12 mil de camelôs para Garib
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domingo, 28 de fevereiro de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 01 (AE) - O delegado Romeu Tuma Jr, que apura denúncias sobre a máfia dos fiscais , ouviu hoje o segurança L.A.S., que há 20 anos guarda barracas de camelôs na região central. Ele afirma que 1995 entregou pessoalmente cerca de R$ 12 mil ao vereador Hanna Garib (PPB) em seu gabinete, na Câmara Municipal. O dinheiro seria cobrado de camelôs na região central.
Na época, L.A.S. e um amigo já prestavam segurança para os camelôs do centro. Enquanto L.A.S. cuidava dos bolsões, o amigo era encarregado de segurança na região da Sé. Esse amigo teria sido informado que os camelôs seriam retirados do centro. Como L.A.S. conhecia o vereador Garib, ele se dirigiu ao gabinete para saber se era possível impedir a remoção.
Para que os ambulantes continuassem a trabalhar normalmente, o deputado eleito teria pedido R$ 2 mil semanais. O dinheiro era recolhido no sábado e entregue às segundas-feiras, na Câmara Municipal. Segundo L.A.S., o esquema durou seis semanas, em uma das quais o dinheiro foi entregue em um banheiro do gabinete de Garib. "Tinha muita gente na hora em que fui lá", justificou o segurança.
Na sétima semana, quando foi entregar novamente o dinheiro, o vereador recusou, disse L.A.S. Além das denúncias que estavam surgindo com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos camelôs, Garib teria dito que não confiava no amigo de L.A.S. "Ele disse que não queria mais se envolver com camelôs"
afirmou a testemunha.
L.A.S. contou ainda que participou do esquema o presidente da Associação dos Camelôs Independentes de São Paulo, Gilberto Monteiro da Silva. Ele seria responsável pelo recolhimento do dinheiro dos ambulantes do Viaduto Santa Efigênia. Porém, L.A.S. suspeita de que Silva tenha quebrado o acordo. "Acho que ele passava o dinheiro diretamente para o vereador", argumenta L.A.S.


