Nova York, 27 (AE-NEWSWEEK) - Edward McCallum tinha um problema em mãos. No início de 1997, o chefe de Segurança do Departamento de Energia - e encarregado da segurança dos centros de pesquisas e das indústrias de armas nucleares dos Estados Unidos - preparava-se para emitir um relatório rigoroso acusando as empresas e instituições do setor no país de não fazer o bastante para proteger-se de espiões e ataques terroristas.
Não foi a primeira vez que MCallum advertiu seus superiores sobre o que considerava uma falha grave. Ele repetidamente reclamava que os orçamentos enxutos para a segurança estavam pondo em risco as instalações nucleares americanas. Sua rígida determinação frequentemente enfurecia os dirigentes das empresas contratadas pelo governo para administrar as indústrias e laboratórios, muitos dos quais o consideravam um alarmista.
Seus apelos foram constantemente ignorados.
Hoje, ninguém ignora mais suas advertências. Depois de relatórios abrangentes no mês passado informando que espiões chineses podem ter roubado projetos de armas nucleares de extrema importância de Los Alamos e outros laboratórios, o secretário de Energia, Bill Richardson, ordenou intensiva revisão dos padrões de segurança nas instalações nucleares do país.
As primeiras descobertas são duras. Os espiões chineses e a ameaça de ataques terroristas são apenas o começo dos problemas de Richardson. Newsweek descobriu que a Secretaria está lidando agora com outra questão de segurança: nos últimos anos, de acordo com estatísticas do órgão, mais de 2,5 toneladas de plutônio desapareceram das instalações nucleares. Somente numa unidade, a de Rocky Flats, mais de uma tonelada sumiu, apesar de a segurança no local ser considerada satisfatória.
O Departamento de Energia insiste enfaticamente que nenhum material foi roubado, sugerindo que as diferenças nos balanços são o resultado de o material ter se prendido em encanamentos e maquinário. Mesmo assim, o último relatório secreto do departamento que veio a público classificava a segurança de três importantes laboratórios, entre os quais Los Alamos, como "marginal", questionando se a segurança seria suficiente para a proteção do material.
Para defender seu ponto de vista, McCallum buscou amparo em 1996 em um programa de computação sofisticado desenhado para simular ataques terroristas contra cada um dos laboratórios nucleares. Newsweek descobriu que, em cada um dos cenários que o comuptador previa, os hipotéticos terroristas conseguiam penetrar com sucesso em uma fábrica perto de Denver e explodir parte do plutônio radioativo usado na fabricação de bombas.
Em 80% das simulações, os atacantes foram capazes de vencer as barreiras de segurança e sair do edifício com plutônio suficiente para construir uma bomba atômica ou envenenar milhões de pessoas com poeira radioativa. Outras instalações, incluindo as de Los Alamos e Lawrence Livermore National Laboratory, também tiveram péssimo desempenho nas avaliações de segurança efetuadas em 1996. Mas, em vez de atuar prontamente para adotar medidas preventivas, os superiores de McCallum resistiram a fazer mudanças.
Agora, Richardson tem de tomar medidas para resolver o problema. Seus assessores dizem que ele planeja reorganizar e fortalecer as operações de segurança do departamento. Mas McClallum pode não estar por perto para ajudá-lo. Na semana passada, Richardson suspendeu-o repentinamente depois de terem surgido suspeitas de que ele divulgou informações preciosas para um agente de segurança de Rocky Flats, que as pôs na Internet.

mockup