Segurados tentam recuperar tempo perdido
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quinta-feira, 03 de junho de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Mesmo com a demanda acumulada durante 42 dias de greve dos servidores públicos federais, não houve filas ontem, primeiro dia de retomada das atividades nas duas agências de atendimento ao público do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) em Londrina.
A aposentada Cida José, 69 anos, estava entre os segurados que tentavam recuperar o tempo perdido na agência do INSS no Jardim Shangri-la (Zona Oeste), na manhã de ontem. ''Há um mês estou com o protocolo na mão para pedir o benefício de amparo ao idoso e não consigo. Não achei justa essa paralisação, já basta a gente ter que aguentar o valor absurdo do salário mínimo'', reclamou.
O também aposentado José Mariano Dias, 73, que nas últimas semanas cansou de ouvir de seu advogado que os serviços continuavam parados, ontem foi pessoalmente à agência para tentar liberar a aposentadoria da esposa. ''Ela é doméstica, tem 66 anos, sofre de pressão alta e precisa retirar logo o benefício'', comentou. Já a doméstica Neusa de Souza, 39, deu à luz um filho no último dia 22 e aguardava para conseguir a licença-maternidade. ''O dinheiro já está fazendo falta. A greve foi péssima, esse tipo de serviço faz falta para muitas pessoas'', observou.
A chefe da agência Shangri-la, Nilma Santos, ressaltou que os usuários não serão prejudicados em seus benefícios porque os pedidos serão protocolados com a data de 20 de abril, anterior à paralisação. Segundo ela, o horário de atendimento usual será mantido, das 8 às 14 horas. ''O movimento deve permanecer tranquilo nos próximos dias e não é necessário chegar de madrugada'', avisou.
De acordo com Lincoln Ramos e Silva, da diretoria colegiada do Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência e Ação Social (Sindprevs), não foi programado nenhum cronograma especial de atendimento para compensar os dias parados. ''Horas a mais, neste primeiro momento, não vamos fazer. Também não podemos deslocar muitos funcionários para o atendimento ao público porque a defasagem de servidores é grande'', observou. Silva afirmou ainda que a categoria ficou satisfeita com o acordo feito com o governo federal, e que só haverá uma nova paralisação se o governo não cumprir algum dos ítens.


