Curitiba - Integrantes da Associação de Defesa dos Lesionados no Trabalho no Estado do Paraná (ADLT) fizeram ontem pela manhã um protesto em frente à agência central do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Curitiba. Eles contestaram os métodos de avaliação dos peritos do órgão, que estariam atestando que trabalhadores se recuperando de problemas de saúde estariam aptos para voltar ao serviço.
''Viemos nos manifestar contra a alta programada e os maus tratos na perícia. Em muitos casos, os peritos não querem nem olhar os exames, nem a carta do médico. Mesmo que a pessoa ainda não esteja em condições de desempenhar as funções da profissão dela, pode estar até com hérnia de disco, o perito diz que ela pode voltar ao serviço'', afirmou Aldemir Targino de Araújo, assessor da presidência da ADLT. O problema estaria ocorrendo na região de Curitiba.
O agente comunitário de saúde Eromari Melo, de 57 anos, sofreu em maio um derrame que afetou os movimentos do lado esquerdo do corpo. ''O perito do INSS me deu alta programada para o dia 28 de fevereiro de 2006. Mas sinto que não vou estar totalmente recuperado até lá. No lado esquerdo do meu corpo, a perna está dura, o braço não move totalmente, não consigo segurar nada na mão. No meu trabalho, tenho que andar longas distâncias. Atualmente, devido ao derrame, tenho que usar muleta, não consigo andar muito'', explicou o agente.
Targino apontou que os trabalhadores lesionados são prejudicados também pelos patrões. ''São poucos os que emitem o Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT), porque não querem fazer o pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) nem dar estabilidade de um ano no emprego para o trabalhador'', disse o assessor.
A assessoria do INSS em Curitiba informou que na próxima semana será realizada uma reunião com representantes da associação para discutir o assunto. A reportagem não conseguiu localizar o chefe do serviço de gerenciamento de benefícios por incapacidade, Simplício Carlos Barbosa.

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