Brasília, 29 (AE) - O debate que dividiu o governo ultimamente sobre estímulo ao capital estrangeiro versus empresas brasileiras, bem como sobre os benefícios que os investidores externos trazem ao desenvolvimento interno do País, chegou à opinião pública. Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) ao Instituto Vox Populi, com 2.006 entrevistados nas diversas regiões brasileiras entre os dias 19 e 21, mostra que, para 48%, a presença das empresas estrangeiras é um fato positivo, enquanto para 29% deles, pode prejudicar o crescimento interno.
Apesar de apoiar a entrada do investidor externo no Brasil, a maior parte dos entrevistados (46%) acha que o governo federal deve autar fortemente na regulamentação das empresas estrangeiras. Já o porcentual daqueles que defendem uma interrferência oficial pequena nesse setor, é de 25%, enquanto para 18% dos entrevistados não deve haver regulamentação alguma. "A pesquisa mostra que a população apóia o capital externo, mas está atenta", observa o diretor-presidente do Vox Populi, João Francisco Meira.
A opinião dos entrevistados também se divide com relação ao governo estimular ou não a entrada do investidor estrangeiro: 32% dos entrevistados defendem este estímulo, enquanto 31% acham que o incentivo oficial deve ser pequeno e 25% afirmam que não deve ocorrer estímulo algum. Com referência ao capital externo prejudicar ou não a participação do empresário brasileiro na economia, 33% acreditam que isso pode ocorrer, enquanto 31% acreditam que a disputa com o investidor estrangeiro estimula essa participação.
O presidente da CNT, Clésio Andrade chamou a atenção para o fato de que o setor automobilísitco, com 61% das indicações, ainda é a área na qual há mais visibilidade da empresa estrangeira, seguida de telecomunicações/telefônica (48%); de indústria farmacêutica/produção de remédios (41%), e de serviços bancários/bancos, apontado por 34% dos entrevistados. Para 32% dos brasileiros ouvidos, as empresas estrangeiras geram mais empregos, são mais lucrativas para 48% e mais produtivas para 44% deles.
Em segundo lugar, vêm as empresas estatais nacionais, apontadas por 27% dos entrevistados como maiores geradoras de empregos, mais lucrativas (16%) e mais produtivas (16%). A empresa privada nacional aparece em terceiro lugar com relação a esses três indicadores.
Apesar de reconhecerem que as estrangeiras são mais lucrativas e produtivas, 29% dos entrevistados prefeririam obter emprego numa estatal nacional, contra 25% que optariam por uma companhia privada estrangeira. "Talvez porque este tipo de empresa apresente outras vantagens", disse Andrade.
A pesquisa CNT/Vox Populi desta rodada também quis saber a opinião dos entrevistados sobre a Lei de Responsailidade Fiscal e nepotismo entre os políticos. Para 71% dos 49% dos entrevistados que tomaram conhecimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, os governantes não irão cumprir a nova legislação. Já 68% dos entrevistados acreditam que as autoridades que não cumprirem a Lei de Responsabilidade Fiscal não serão punidas.
Sobre a proposta do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), de que deputados e senadores possam contratar apenas dois parentes nos gabinetes, 59% dos eleitores disseram que eles não deveriam contratar nenhum parente. Somente 28% dos entrevistados apoiaram a proposta de Temer, enquanto 9% deles defenderam a liberação total das contratações.