O desembargador Naor de Macedo Neto, da 1ª Câmara Criminal do TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná), indeferiu um habeas corpus impetrado em caráter liminar pela advogada Mariana Rodrigues, que defende o guarda municipal Fernando Neves, suspeito de envolvimento na morte de Matheus Evangelista, 18 anos, no início de março. O magistrado manteve a prisão temporária, válida por 30 dias, decretada na semana passada pela 1ª Vara Criminal de Londrina. Na última quinta-feira, ele foi detido por policiais da DH (Delegacia de Homicídios) e levado à Central de Flagrantes.

Neves é o segundo agente preso no decorrer das investigações. O primeiro foi Michael de Souza Garcia, que está na cadeia desde o dia 15 de março. A vítima teria sido morta enquanto participava de uma festa no jardim Porto Seguro, região norte. As versões coletadas nas diligências são contraditórias entre os envolvidos: enquanto testemunhas, como amigos de Evangelista, afirmam que ele foi baleado após a chegada da Guarda Municipal, os acusados reiteram que já localizaram o jovem ferido quando acionados por moradores do entorno. Eles teriam chamado o órgão para atender uma ocorrência de perturbação de sossego, já que estariam incomodados com o som alto.

Pelo menos por enquanto, a defesa de Neves informou à FOLHA que não iria comentar o posicionamento do TJ. Para o desembargador Neto, o despacho de primeira instância "tem fundamentação suficiente para a sua manutenção, decretada com base em indícios de autoria e para assegurar a conclusão das investigações criminais". De acordo com o depoimento de um terceiro guarda municipal obtido pela Polícia Civil, Neves e Garcia teriam efetuado os disparos durante a abordagem. Há outra acusação de que o próprio Garcia teria retornado ao local do crime para "ocultar e procurar vestígios eventualmente deixados".

Um laudo do Instituto de Criminalística atestou que o projétil que matou Matheus Evangelista não saiu da arma de Garcia apreendida pela polícia.

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