Giovane, 16, filho da cabeleireira Maria José Fernandes, 47, foi um bebê planejado. Quando nasceu, os pais até pensavam em ter um segundo filho, mas, à espera de mais estabilidade na situação financeira da família, adiaram os planos até a segunda gravidez não ser mais possível.
''Meu sonho era ter um filho, por isso, me esforço muito para dar uma vida melhor a ele'', conta a mãe, que parou de trabalhar quando Giovane nasceu e só voltou ao mercado depois de matriculá-lo na escola. A ideia de ter mais um bebê perdurou por um tempo. ''Depois, conforme ele foi crescendo e as despesas aumentando, achei que não dava.''
Computador, videogame, celular e curso de informática foram pagos com muito sacrifício pelos pais. Agora, eles planejam matricular o adolescente em um curso de inglês. ''Estamos pesquisando, mas está caro'', lamenta a mãe, que também sonha com o filho recebendo o diploma de curso superior em engenharia. ''Torço para ele passar no vestibular de uma universidade pública.''
Maria José conta que Giovane é independente e muito responsável. Os pais fazem questão de levá-lo e buscá-lo na escola todos os dias, o que não incomoda o adolescente, que também não vê problemas em sair com a família. Acostumado a ser filho único, ele afirma que nunca quis ter irmãos. Sente, entretanto, o peso da cobrança familiar sobre o próprio destino. ''Quero ter uma boa profissão porque sei que vou ser responsável pelos meus pais no futuro'', diz. (C.A.)

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