Harare, 18 (AE-AP) - Horas depois que um segundo fazendeiro branco foi assassinado, o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, afirmou hoje (18) que estava tentando mediar um acordo para pôr fim à ocupação de cerca de 1.000 propriedades rurais de brancos por sem terra negros.
Mas Mugabe, num discurso televisionado à nação marcando o 20º aniversário da independência do Zimbábue, não apresentou soluções concretas para acabar com a violência contra fazendeiros que tomou conta do país.
Na manhã de hoje, invasores de terras mataram a tiros o pecuarista Martin Olds no oeste do Zimbábue. Olds, de 42 anos, depois de baleado, ainda conseguiu pedir ajuda por rádio, mas seus atacantes impediram a chegada de uma ambulância e ele acabou morrendo, informou David Hasluck, diretor do Sindicato dos Fazendeiros Comerciais, que representa os proprietários brancos.
Invasores também sequestraram hoje um fazendeiro branco e puseram fogo em outra propriedade.
Os ataques ocorreram três dias depois que sem terra negros mataram a tiros David Stevens, um fazendeiro branco e partidário do Movimento por Mudanças Democráticas, o principal partido de oposição. Cinco outros fazendeiros que tentaram ajudá-lo foram violentamente espancados.
Na primeira versão do discurso de Mugabe, feito em inglês, ele lamentou as mortes e disse que a resistência dos fazendeiros à reforma agrária "criou frustrações que levaram à grande ocupação de fazendas". Numa segunda versão do discurso, em chona, língua nativa, Mugabe agradeceu os ocupantes, que seriam liderados por veteranos da guerra de independência do Zimbábue contra a Grã-Bretanha, por terem invadido as terras.
Líderes oposicionistas disseram que Mugabe planejou as ocupações das fazendas a fim de ganhar votos nas eleições parlamentares que devem ser realizadas em maio.
A Grã-Bretanha condenou o assassinato do segundo fazendeiro branco no Zimbábue, e considerou intolerável que o homem tenha aparentemente morrido porque invasores negros impediram a chegada de uma ambulância.
"Isto é apenas intolerável, absolutamente, completamente intolerável e outro sinal do que eu temia desde o começo - que a situação pode sair de controle", disse o ministro da Secretaria do Exterior Peter Hain. "Tudo foi tristemente previsível".

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