Segunda prévia do IGPM registra alta de preços de 0,73%
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 19 (AE) - A inflação entre os dias 21 de março e 10 de abril foi de 0,73%, de acordo com a segunda prévia do Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM) deste mês, divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). A segunda prévia do índice em março foi de 2,38%. O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, que elabora o índice, Paulo Sidney Melo Cota, afirmou que a alta aponta para uma inflação de 1% a 1,5% neste mês.
De acordo com o economista, o IGPM divulgado hoje é resultado da queda dos preços dos produtos agrícolas, tanto pelo recuo do valor do dólar quanto pela entrada da nova safra no mercado. A redução destes preços "mais que compensou" outros reajustes registrados no período. O Índice de Preços no Atacado (IPA) teve variação de 0,71%, o Índice de Preços ao Consumidor, de 0,85%, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor, de 0 44%.
No atacado, os produtos agrícolas tiveram queda de 1,09% nos preços, por três razões apontadas por Cota. A primeira foi o recuo da cotação do dólar, que provocou uma deflação de 6,81% do valor das commodities do setor. O preço da soja caiu 4,02%, o do café em côco, 9,66%, e o do cacau, 6,77%. O segundo motivo foi a boa safra de grãos, que influenciou na queda de 10,8% no preço do feijão e de 9,8% no arroz. Por fim, o clima favoreceu a produção de hortigranjeiros, cujos preços recuaram 5,9%, explicou o economista.
Freio - O chefe do Centro de Estudos de Preços acrescentou que, no atacado, os reajustes dos produtos industriais também estão refreando. A alta registrada foi de 1 60%, quando, na segunda prévia do IGPM de março, a variação atingiu 3,39%. O segmento que melhor demonstrou o fenômeno, de acordo com Cota, foi a indústria de transformação: a alta registrada foi de 1,5%, contra o resultado de 3,44% no mesmo período no mês passado.
"Grande parte do repasse do aumento do dólar já foi absorvido pela indústria de transformação", afirmou o economista. Ele apontou produtos que chegaram a ter deflação, como os veículos a motor (-3,52%), óleos e gorduras (-3,59%) e carnes e pescados (-1,52%) O resultado do IPC também foi consequência do recuo nos preços agrícolas, afirmou Sidney. No varejo, o aumento dos produtos agrícolas ficou em 0,38%, bem inferior à alta de 2,59% registrada na segunda prévia do IGPM em março. Em contrapartida, os preços dos produtos de habitação, que haviam variado apenas 0,68% entre o fim de fevereiro e o início de março, tiveram um aumento de 1,06% no IPC divulgado hoje.
Um dos principais responsáveis pela aceleração dos reajustes deste grupo foi o aumento de 11,7%. Outro grupo que teve reajuste maior do que o dos últimos dois meses foi o vestuário, com alta de 1,57% por causa do lançamento da nova coleção de outono e inverno. Na segunda prévia do IGPM de março, o vestuário chegou a ter deflação de 2,7%. Os medicamentos em geral, dentro do IPC, também tiveram aumento, de 2,62%.
Temperatura - Cota alertou que, daqui para a frente, tanto os reajustes de tarifas públicas, como eletricidade e combustíveis, quanto o aumento nos planos de saúde em maio podem pressionar para novas altas da inflação. Outro perigo, lembrou o economista, é a mudança da temperatura nos últimos dias. Caso continuem as frentes frias, segundo o economista, a agricultura pode ser prejudicada, especialmente no Sul.


