Rio, 19 (AE) - A inflação entre 21 de setembro e 10 de outubro foi de 1,19%, de acordo com a segunda prévia do Índice Geral de Preços ao Mercado (IGPM) deste mês, divulgada hoje pela Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro (FGV-RJ). O resultado foi 0,06 ponto percentual acima da segunda prévia de setembro do índice, que calcula a inflação de um mês sempre tendo como base os dez últimos dias do mês anterior.
Os resultados dos três índices que compõem o IGPM mostram, no entanto, que a alta do custo de vida está retida no atacado, e ainda não foi repassada para os consumidores. O Índice de Preços por Atacado (IPA), de maior peso no IGPM, teve alta de 1,80% - contra o resultado de 1,62% no IPA da segunda prévia anterior. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) variou 0 24% - resultado melhor do que a segunda prévia de setembro, quando ficou em 0,41%.
O chefe do Centro de Estudo de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Melo Cota, explicou que a variação do IPA é resultado do aumento do dólar sobre os produtos industriais e agrícolas - que também sofreram pressão com a estiagem. O clima impede que os preços caiam na agricultura, como seria normal nesta época do ano, explicou.
A alta dos produtos agrícolas no IPA chegou a 2,21%, depois de ficar em 1,84% na segunda prévia do IGPM do mês passado. O destaque, segundo Melo Cota, ficou com os bovinos (12 9%), milho (6,7%), cana-de-açúcar (3,70%) e soja (3,66%). Na indústria, além da variação do dólar, há a influência do repasse de preços dentro da indústria de transformação, que aumentou 1 51%. O reajuste dos produtos da indústria extrativa mineral chegou a 2,88%.
Queda no vestuário - Estes reajustes, por causa da recessão, continuam a não ser repassados para o consumo, afirmou o economista. Houve queda dos produtos de saúde e cuidados pessoais (0,19%), com o declínio de 1,84% do preço dos medicamentos, registrada pela primeira vez neste ano. Ao mesmo tempo em que prejudicou a agricultura, o clima frio impede a entrada das novas coleções de roupas para a primavera e o verão, acrescentou o chefe do Centro de Estudo de Preços. Os preços do setor de vestuário caíram 0,13%, quando o normal seria que aumentassem, afirmou Melo Cota.
O último e menos importante índice do IGPM, o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), ficou praticamente estável na segunda prévia, com alta de 0,70%, apenas 0,02% maior do que a taxa apurada entre os dez últimos dias de agosto e dez primeiros dias de setembro. Com o resultado parcial do IGPM, o economista da FGV-RJ já trabalha com o resultado do índice, neste mês, em torno de 1,5%.

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