Brasília, 22 (AE) - O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Abastecimento, Luis Carlos Oliveira, informou hoje que a segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa no chamado Circuito Centro-Oeste
prevista para o dia primeiro de novembro próximo, terá que ser adiada para o dia primeiro de dezembro. O adiamento, segundo ele
se deve ao fato de que não foi possível concluir o inquérito soroepidemiológico iniciado em agosto nos Estados que compreendem essa região (PR, DF,GO, MT, oeste de MG e SP), para comprovar a ausência da doença.
A campanha de vacinação prevista para primeiro de novembro não poderá ser realizada porque os anticorpos introduzidos pela vacina poderiam acusar equivocadamente a presença do vírus, mascarando os resultados, segundo Luis Carlos Oliveira. O atraso, contudo, não invalidará, segundo ele, a imunização dos animais, porque eles ainda estarão cobertos pela primeira dose da vacina (realizada há seis meses) até o final do próximo mês.
O inquérito soroepidemiológico está sendo feito em 39 mil cabeças de gado da região, e já foram anlisadas 83% das amostras. Nas amostras analisadas, foram verificadas algumas reações positivas ao teste, mas, como isso ainda pode ser efeito da própria vacinação, a secretaria determinou uma investigação complementar que deverá estar concluída até o final de novembro.
Oliveira explicou que o atraso na realização do inquérito soroepidemiológicono chamado Circuito Centro-Oeste para comprovação da ausência de aftosa ocorreu porque os Estados dessa região alegaram não estar preparados à época (abril deste ano): não haviam ainda contratado pessoal nem instalado a infra-estrutura para realizar o trabalho. Por essa mesma razão, os testes foram adiados para julho e finalmente iniciados em agosto passado. Soma-se a isso a dificuldade orçamentária e o atraso na liberação dos recursos por parte do Ministério da Agricultura para esta área.
Oliveira explicou que o orçamento previsto para o Sistema Unificado de Atenção à Saúde Animal e Vegetal este ano era de R$ 130 milhões. A necessidade imposta pelo ajuste fiscal do governo, no entanto, acabou fazendo com que essa verba ficasse limitada a R$ 48 milhões. Como esse montante não seria suficiente para as ações da área, o Ministério da Agricultura solicitou uma suplementação de R$ 116 milhões no início do ano, que também não foi aprovada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento.
Em função disso, com um remanejamento interno nos recursos do Ministério da Agricultura foi possível destinar R$ 43 mihões para que todos os Estados do País atuassem na defesa sanitária animal e vegetal. Desse total, os R$ 25 milhões destinados à saúde animal (a maior parte para o combate à aftosa) começaram a ser liberados no início deste mês.
O inquérito soroepidemiológico para comprovar a ausência de aftosa no gado bovino é a última exigência para que o Circuito Centro-Oeste seja considerado como zona livre da febre (mediante o uso de vacina) pela Oficina Internacional de Episotíase (OIE), com sede em Paris e vinculada à Organização Mundial da Saúde. Com esta certificação - concedida quando o resultado do inquérito é negativo -, os produtores da região, a exemplo do que já ocorre com os do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, estarão aptos a exportar carne bovina. Diante da premência do tempo para concluir os testes, a Secretaria de Defesa Agropecuária estava fazendo ontem um apelo aos Estados para que se habilitem a receber os recursos - por meio da assinatura de convênios - e aos pecuaristas para que o trabalho de erradicação da aftosa possa ser levado adiante.

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