Brasília, 15 (AE) - A segunda estimativa oficial da safra brasileira de café 1999/2000 deverá registrar um aumento entre 1 milhão e 1,5 milhão de sacas em relação à primeira previsão de 23,184 milhões de sacas, podendo atingir cerca de 24 5 milhões de sacas.
Os números deverão ser divulgados na quinta-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e, apesar do aumento registrado na pesquisa coordenada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), apontam uma redução de mais de 20% em relação à safra anterior, quando foram colhidas mais de 34 milhões de sacas de café.
A redução deve-se principalmente à bianualidade da cultura, mas segundo técnicos do setor, a falta de tecnologia em muitas lavouras nacionais com mais de 20, 30 anos permitem este movimento brusco da produção. "Sem tecnologia as lavouras ficam mais suscetíveis às regras da bianualidade da produção", avaliou um técnico do setor cafeeiro.
O governo tem intenção de fazer ainda uma terceira estimativa da safra para confirmar a produção - com a colheita finalizada - e divulgar a primeira previsão da próxima safra.
CDPC - O Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC) reúne-se no MDIC na quinta-feira, quando além dos números da estimativa de safra, os conselheiros deverão avaliar a proposta de renegociação das dívidas do setor cafeeiro e a posição brasileira junto à Organização Internacional do Café (OIC) e Associação dos Países Produtores de Café (APPC).
A grande safra colhida no ano passado de mais de 34 milhões de sacas e a desvalorização cambial em janeiro provocaram um repique das exportações e levaram o Brasil a extrapolar significativamente a cota de venda de 15 milhões de sacas firmada na APPC.
Fontes do setor estimam que, com o fechamento do ano-safra no final deste mês, as exportações de café deverão chegar a 22 milhões de sacas. O CDPC deverá discutir uma nova proposta de cota de exportações brasileiras de café na APPC, que poderá ficar em cerca de 17 milhões de sacas.
Nos dias 6 e 7 de julho o Brasil vai sediar reuniões da OIC e da APPC no Itamaraty, quando os países produtores deverão definir as novas cotas de exportação.

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