Seguindo os passos do ídolo
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de outubro de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Ser fã, se identificar com determinado artista, seguir um exemplo de forma moderada são iniciativas consideradas positivas pelos especialistas. Para alguns, esta admiração extrapola. Existem fãs que já não conseguem imaginar a sua vida sem a dedicação rotineira à pessoa admirada.
É o caso de Ellen Tavares Mardegan, fã da cantora Ivete Sangalo. Aos 27 anos, a jornalista e estudante começou a se encantar pela artista há quatro anos, quando conheceu um fã-clube londrinense. ''De lá para cá foram cerca de 30 shows em diversos estados.''
Para a jovem, o motivo de tanta dedicação é o carisma da cantora. ''Ela olha a gente no olho, conversa de igual para igual, por isso sempre que posso estou atrás dela'', afirmou, contando como é a rotina dos fãs. ''Vamos para a cidade da apresentação e na hora que ela embarca em Salvador o pessoal do fã-clube de lá nos avisa. Corremos para o aeroporto para esperar pela Ivete. Ela sempre conversa com a gente e nos ajuda a conseguir convites para o show'', afirmou. A jovem disse que acompanhar a cantora custa caro. ''Às vezes não pagamos para assistir, mas gastamos com passagem, hospedagem e alimentação.''
Ciclismo
Rafael Carraro Ribeiro, 26 anos também é fã, mas de ciclismo e do ciclista Lance Armstrong. O que chama atenção do jovem são os atletas que atingem a superação. ''O trabalho inclui o esforço físico mas também está ligado à mente. A cabeça tem que ser bem trabalhada para conseguir um bom resultado. Minha admiração de modo geral é pelas pessoas que dedicam a vida ao esporte'', disse. O rapaz não se considera fanático, mas garante que é capaz de ficar o dia todo falando sobre ciclismo, equipamentos, atletas e outros assuntos ligados ao tema.
O jovem, que também é ciclista, atualmente pratica mountain bike. ''Procuro o contato com a natureza, estou desacelerando e focando minha vida um pouco mais na questão profissional. Apesar disso, não vou abandonar o ciclismo.''
A dedicação de Ribeiro ao esporte vai além da pedalada. ''Gosto de montar as bicicletas, de ter peças diferentes de carbono e procuro sempre ter informação sobre as novas tecnologias'', afirmou. Ele também gosta de ter fotos e bicicletas em miniatura no trabalho. ''Isso remete a uma coisa que me dá prazer. Algumas miniaturas eu mesmo comprei e outras ganhei de presente de amigos e parentes'', disse.
Ribeiro não tem ideia de quanto dinheiro já investiu, mas disse que o esporte lhe deu uma lição para toda a vida. ''A superação no esporte é o que me ajuda a vencer as dificuldades em outros setores da vida. As amizades que criei são uma construção pessoal muito grande.''
Linha tênue
Para o psicólogo comportamental Murilo Ramos, de Londrina, para definir se ser fã é considerado bom ou ruim é preciso fazer uma análise das consequências dessas ações na vida de cada pessoa. ''Tem que ver se este é um comportamento obsessivo, frequente, que ocorre muitas vezes ao dia e atrapalha outras atividades. Se a pessoa deixa de viver a vida dela em função do ídolo é prejudicial. Quando a rotina e a habilidade de fazer outra atividade é restrita, acaba reforçando o comportamento obsessivo'', afirmou.
O especialista afirmou que se todo o tempo livre da pessoa for dedicado ao ídolo é necessário fazer uma investigação, mas que a situação pode ser positiva se for moderada. ''Quando a pessoa é fã, mas tem a vida pessoal, tem sonhos, é positivo. Ter um ídolo como inspiração é benéfico, pode servir como um gatilho, um modelo a ser seguido e não a ser imitado.''
Conforme o psicólogo, é comum esportistas serem fãs de alguém que se destaca em busca de melhoria na carreira profissional. Ele também lembrou que um fã-clube traz amigos com os mesmos interesses. ''Esta é uma consequência boa. Já a consequência ruim reduz o comportamento de forma inconsciente'', destacou.


