''Viver em estado de graça''. Essa pode ser a receita não só para viver bem, mas para viver com saúde. A tese é do geneticista japonês Kazuo Murakami, professor emérito da Universidade de Tsukuba, que defende que manter o espírito alegre ativa os ''bons'' genes e desativa os ''ruins''. O especialista esteve em Londrina na última semana, onde lançou a primeira edição em português do livro ''Código Divino da Vida - Ative seus genes e descubra quem você quer ser'' e ministrou a palestra ''Viver com o Gene Ligado - o método para despertar os bons genes'', em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil (Imim 100).
Para quem se interessa em cuidar da saúde despertando os bons genes, Murakami dá a receita: em primeiro lugar, fazer exercício. Em segundo, alimentação balanceada, e em terceiro, manter o espírito sempre alegre e animado. ''Os genes que herdamos dos nossos pais e antepassados não mudam, mas há a possibilidade de ativá-los ou desativá-los. Depois da codificação do genoma humano ficamos sabendo que haveria um tipo de botão liga/desliga em cada gene'', afirma.
E é nisso que ele vem concentrando suas pesquisas - provar cientificamente que um espírito alegre e prazeroso, ou mesmo uma oração mais profunda, atua para uma melhor saúde não só espiritual ou emocional, mas também física. E, o contrário, que um espírito negativo, triste, preocupado, aflitivo, e emoções como nervosismo e medo, podem trazer prejuízos à saúde, no momento em que ''ativa os maus genes''.
Pesquisador na área de engenharia genética e pioneiro na decodificação do gene renina, enzima causadora da hipertensão arterial, Murakami trabalha agora buscando relacionar a risada com a diminuição das taxas de glicose em pacientes com diabetes.
Resultados preliminares, segundo ele, já apontam que após rir muito caem as taxas de glicemia. ''Só rindo, sem tomar remédios'', diz, sugerindo que o riso pode funcionar como um método de tratamento, diminuindo inclusive a quantidade de medicamento utilizada.
Mas, porque justo a risada foi motivo de pesquisa? Ele responde que graças a um encontro casual com o presidente de uma das maiores companhias de comédia do Japão, quando pensou que a pesquisa genética e a comédia não poderiam ter nenhuma relação. ''Desse encontro inesperado surgiu algo extraordinário'', afirma.
Já a escolha por pesquisar o diabetes, segundo ele, veio da leitura de um artigo que constatava que o estresse aumenta a taxa de glicemia. Pensou, então que, assim como há um estresse ruim, deveria haver também um bom, ''algo alegre, feliz e animado'', que teoricamente teria efeito contrário. E a risada pode ser benéfica em outros casos? ''Sim, com certeza isso pode ser afirmado'', responde. É por isso que pretende estudar também a relação do riso com outras doenças, como hipertensão e câncer.
O geneticista ressalta que a tecnologia para a decodificação do genes é algo realmente fantástico, mas muito mais extraordinário é que, para ter sido lido ou decifrado, esse código (genético) precisou ser escrito. ''E não poderia ter sido escrito de maneira superficial, aleatória ou por acaso. Isso não é força ou inteligência humana, mas força ou trabalho daquilo que está acima da natureza. Por isso, estar vivo não é algo por acaso, mas algo fantástico, uma sequência de atos milagrosos'', finaliza.

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