Seed prevê punição a professores que não cumprirem carga horária
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
A secretária estadual de Educação, Ana Seres Trento Comin, advertiu, nesta terça-feira (14), os professores da rede estadual de que não aceitará "atividades estranhas aos temas curriculares" e que os profissionais que não cumprirem a carga horária de aulas 50 minutos terão faltas lançadas em seus registros. A declaração foi uma resposta ao Sindicatos dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), que aprovou em assembleia, no último sábado (11), greve para 15 de março e aulas de 30 minutos no início do ano letivo, que começa nesta quarta-feira (15).
De acordo com a APP-Sindicato, as últimas duas aulas serão destinadas aos debates, confecção de cartazes e ações para protestar pela falta de atenção ao ensino público. "Conforme o sindicato dos professores tem divulgado, a categoria pretende fazer aulas em frente à escola, com cunho de protesto e alheio ao conteúdo curricular. Isso não podemos aceitar, pois os estudantes têm direito, todos os dias, a cinco aulas de 50 minutos", disse a secretária. Ela considerou ainda que se forem feitas aulas mais curtas, os estudantes serão prejudicados. "Com 100 minutos de aula a menos haverá dificuldade em se cumprir as 800 horas/aula previstas em lei", observou a secretária.
Além de orientar os professores sobre o lançamento das faltas, ela também alertou os diretores das escolas. "Lembro ainda aos diretores que eles são responsáveis pelos alunos no período de aulas e por garantir aos professores que assim quiserem o direito de dar a aula de 50 minutos", destacou. "Recebemos vários telefonemas de pais de alunos e até de professores que querem as aulas no tempo integral. Já sabemos que muitas escolas não vão aderir a este protesto. Nos próximos dias vamos fazer o mapeamento da situação", adiantou.
A APP-Sindicato considerou a declaração de Ana Seres como "mais uma das ameaças" da Secretaria de Estado da Educação (Seed) e do governo estadual. Segundo o sindicato, tanto a greve em março como as aulas de 30 minutos estão mantidas. "Nunca deixamos de fazer mobilização por conta de ameaças. Vamos seguir em frente porque estamos amparados pela lei", comentou o diretor de comunicação da APP-Sindicato, Luiz Fernando Rodrigues.
O sindicalista criticou a redução de sete para cinco horas-atividade para os professores. Segundo ele, para o ano letivo de 2017, cada docente perde o equivalente a duas aulas por semana, a cada turno de 20 horas. Segundo ele, o tempo perdido será usado para o desenvolvimento de atividades que reforcem a construção da greve. Nesta quarta, 1 milhão de estudantes retornam às aulas em 2,1 mil escolas estaduais do Paraná.


