Curitiba - A repercussão entre entidades paranaenses vinculadas à educação da chamada reforma do ensino médio, apresentada ontem pelo governo federal sob o formato de Medida Provisória, rendeu elogios para alguns caminhos apresentados, como a implementação da educação integral, porém, trouxe pontos questionáveis como a retirada da obrigatoriedade de disciplinas como artes, educação física, filosofia e sociologia.

De maneira bastante cautelosa, tanto a Secretaria Estadual de Educação (Seed), quanto o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Paraná (Sinepe-PR) afirmaram que o texto assinado pelo presidente Michel Temer precisa ser analisado em profundidade a fim de que a sociedade consiga avançar de forma efetiva na oferta de uma educação de qualidade.

"A realidade da educação brasileira exige medidas urgentes, haja vista a enorme quantidade de jovens que abandonaram o ensino médio e nem estudam, nem trabalham. As razões disso têm relação com um modelo de ensino que há muito tempo precisa ser revisto", explica a professora de Língua Portuguesa, especialista em gerenciamento e administração educacional e assessora pedagógica do Sinepe-PR, Fátima Chueire Hollanda.

Ela acredita que os 120 dias de tramitação da MP no Congresso devem ser utilizados para avaliar o impacto de cada caminho apontado pelo texto. "Hoje, até mesmo na rede particular há vagas ociosas por uma série de motivos, mas esse desinteresse do jovem também é causado pelas deficiências no modelo atual", afirma.

Para a educadora, as primeiras impressões da MP são positivas no que envolve a evolução para uma educação integral no ensino médio, bem como na concentração de esforços a fim de corrigir os problemas crônicos na formação dos alunos em relação às áreas da Língua Portuguesa e da Matemática. "Mesmo com avanços, considero alguns pontos de retrocesso como a retirada da obrigatoriedade de disciplinas que estimulam o pensamento crítico a exemplo da filosofia e da sociologia", ressalta.

"Dentro do que foi apresentado, além da valorização a educação integral em sintonia com o que preconizamos no Plano Estadual de Educação, vejo como um dos aspectos positivos a autonomia que os Estados terão para escolher o modelo de educação, respeitando as características de cada região. O Paraná, por exemplo, é uma referência na educação profissional, com 20% dos estudantes de ensino médio fazendo sua formação integrada a essa profissionalização", destaca a superintendente da Educação da Seed, Fabiana Campos. "De qualquer forma, essa nova matriz curricular que norteará a educação a partir de 2018 deve ser construída de maneira responsável avaliando custos e todo o impacto na comunidade escolar", pondera.

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