Por Gelson Luís Corazza
De Francisco Beltrão
Especial para a Folha
Cerca de 500 trabalhadores rurais sem-terra de vários municípios do Sudoeste do Paraná ocuparam na manhã de ontem a sede do Incra em Francisco Beltrão. A ocupação aconteceu de forma pacífica, sob os olhares da Polícia Militar. Os funcionários trabalharam normalmente.
Liderados pelo Movimento Sem Terra (MST), os agricultores exigem o cumprimento de uma pauta com dez reivindicações. Entre as exigências dos sem-terra está a vistoria de novas áreas para atender famílias que estão acampados ao lado de uma rodovia em Beltrão; desapropriação de áreas ocupadas nos municípios de Renascença e Marmeleiro; liberação de recursos e assistência técnica para áreas de assentamentos; readequação de estradas e aberturas de poços artesianos, além da liberação de calcário para as famílias que ocupam terras na região.
À tarde, uma comissão de dirigentes do MST foi recebida pelo chefe do Agrupamento Técnico do Incra de Francisco Beltrão, Adão Rios. Ele negociou as reivindicações com a superintendência estadual em Curitiba e alguns itens foram atendidos. ‘‘Fizemos o possível para atender todos, mas algumas coisas não dependem de nós’’, explicou Rios ao final da reunião.
Segundo ele, os itens que dependem de recursos, só poderão ser atendidos assim que o governo federal liberar o Orçamento da União. Os sem-terra não ficaram plenamente satisfeitos e decidiram pela permanência na sede. ‘‘A maior parte da nossa pauta não foi atendida e são questões bastante urgentes’’, afirmou o coordenador regional do MST, Claimar Schmitz.
Hoje os coordenadores de cada assentamento devem fazer nova reunião para decidir se o movimento continua ou não. Eles não descartam uma marcha de protesto a Brasília ou Curitiba para levar as suas reivindicações.

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