São Paulo, 5 (AE) - A Assembléia Legislativa deverá analisar esta semana a mensagem encaminhada pelo secretário da Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, propondo a venda dos fundos do casarão da Avenida Higienópolis com Albuquerque Lins onde estão o seu gabinete e a parte administrativa da secretaria.
O maior interessado na compra é o Grupo Plaza Paulista, proprietário do Shopping Higienópolis, que desde o começo da construção vem procurando a secretaria. O objetivo é expandir a área de serviços do shopping localizado a poucos metros do comando da polícia.
O Plaza, por meio de um decreto de outubro de 1997, obteve a permissão para aumentar sua área construída, que é de 34 mil metros quadrados em até 25%. Seu projeto prevê ainda a construção de um teatro.
No casarão cuja construção teve início em 1930 e terminou em 1937, Petrelluzzi pretende montar o Museu da Polícia. Na nova sede da secretaria ele vai unir os comandos das Polícias Civil e Militar, que passariam a funcionar ao lado de seu gabinete. Com as chefias perto, Petrelluzzi acredita que a integração entre as polícias será "ainda melhor."
Reforma - Ele pretende aplicar parte do dinheiro da venda na reforma dos nove andares do prédio do Detran, no Ibirapuera, onde vai instalar a secretaria e as chefias da Polícia Civil e da PM. Um estudo sobre a venda foi preparado no ano passado pela assessoria técnica do secretário. No casarão estão instalados os gabinetes do secretário e seu adjunto, as assessorias, civil e militar, as consultorias jurídicas, o serviço técnico de comunicações e o centro de telecomunicações. Nos dois prédios dos fundos, construídos pela Secretaria da Segurança Pública, depois da compra do casarão, funcionam a Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP), a Ouvidoria da Polícia e a companhia da Polícia Militar. Com a venda o casarão, tombado pelo patrimônio histórico, será preservado. Desde que assumiu a segurança, no início do segundo mandato do governo Mário Covas, Petrelluzzi vem estudando a mudança do prédio da Avenida Higienópolis.
Depois de examinar vários prédios para instalar o seu gabinete, ele optou pelo do Detran que deixaria o Ibirapuera e passaria a ocupar as amplas instalações do Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird) e da Superintendência de Polícia Técnico-Científica, na Cidade Universitária.
Barão - O prédio da Avenida Higienópolis, 758, onde a Secretaria da Segurança está desde 1974, foi construído pelo barão do café Carlos Leôncio de Magalhães, o Nhonhô Magalhães.
A obra, a cargo da construtora Sicilliano e Silva, recebeu influência européia e tem estilo francês. Ostenta lambris de jacarandá entalhados pelo artista italiano Dinucci, vitrais belgas, teto em madeira de lei ornamentado em gesso pintado em dourado, além de lustres de ferro fundido.
Festas - Nhonhô não conseguiu desfrutar da mansão. Morreu um ano antes da conclusão. A mulher, Ernestina Reis Magalhães, e os cinco filhos, solteiros, se mudaram para a nova casa onde moraram por 11 anos.
Nhonhô pensava em realizar grandes festas e mandou construir no porão um anfiteatro com palco principal e outro lateral além de espaços para apresentações musicais, recitais, poesias e saraus. O barão do café defendeu a volta da monarquia e quase foi preso. Não esqueceu de destinar um espaço à fé cristã que o orientava mandando construir uma capela no 1.º andar, na ala íntima, inspirada no Mosteiro dos Jerônimos, de Lisboa, com detalhes em cimento imitando pedra.
No entrada da mansão, onde seria o salão nobre, existe um balcão todo em jacarandá para apresentações musicais. Outra curiosidade do casarão: as passagens secretas entre os aposentos que permitiam o livre trânsito da família entre os cômodos sem que fossem notados pelos hóspedes, sempre frequentes.
No terreno, existiam inúmeras árvores frutíferas e ornamentais que cercavam o casarão além de um enorme viveiro com diversas aves. Das árvores poucas restaram.
Após a saída da família Magalhães, o que ocorreu, segundo consta, após o suicídio de um dos filhos, o casarão foi ocupado pela antiga Guarda Civil. Foi restaurado na gestão José Afonso da Silva.

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