Sede da Prefeitura de SP não apresenta condições mínimas de segurança
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quinta-feira, 09 de março de 2000
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 10 (AE) - Um prédio sem as mínimas condições de segurança em caso de incêndio ou outra emergência que exija a fuga rápida das pessoas. Não se trata de nenhum cortiço do centro, mas do Palácio das Indústrias, sede da Prefeitura paulistana. Até hoje, a situação do local não está regularizada no Corpo de Bombeiros.
Em vistoria realizada em março do ano passado, os bombeiros constataram uma série de irregularidades no local de trabalho do prefeito Celso Pitta (PTN). Entre elas, extintores de incêndio no chão, fiação exposta e mangueiras de água em estado precário. Além disso, segundo o relatório preparado pelo tenente Marcos Noda, rotas de fuga e hidrantes estavam obstruídos por divisórias e o sistema de alarme de incêndio não abrangia todo o prédio.
No Salão Azul, onde são realizadas solenidades importantes, como a posse de secretários, a equipe encontrou farto material combustível no subsolo, como papéis, madeiras e plásticos. O relatório recomendava a revisão de todo o sistema elétrico do saguão, por causa do grande número de equipamentos elétricos existentes no local. Na época, o Corpo de Bombeiros pediu a preparação de proposta de proteção do imóvel, um plano de combate a incêndio e a instalação de equipamentos antifogo.
Depois disso, seria realizada outra vistoria para regularização no Corpo de Bombeiros. Até hoje, a Prefeitura não apresentou o projeto de segurança nem pediu nova inspeção, segundo os bombeiros. Auto de Vistoria - Cumpridas as exigências, o Corpo de Bombeiros emite o Auto de Vistoria. "O documento é necessário pois comprova que a edificação está de acordo com as normas de segurança", disse o capitão Jolan Eduardo, do 1.º Comando de Bombeiros da Capital. Segundo ele, a vistoria do ano passado foi requisitada pela própria Prefeitura.
O capitão informou que as as inspeções sempre são solicitadas por quem usa o imóvel. "Mas a corporação não tem o poder de interditar locais considerados de risco", explicou. Essa tarefa cabe ao Departamento de Controle e Uso de Imóveis (Contru), órgão da administração municipal. Segundo Eduardo, todo prédio deve ter um Auto de Vistoria. Um imóvel que não tenha acompanhamento sistemático dos equipamentos de segurança corre riscos que vão desde um princípio de fogo a um grande incêndio.
O diretor do Contru, Carlos Alberto Venturelli, disse que não sabe como está a situação atual do Palácio das Indústrias, em termos de segurança. "Nada nos impede de fazer nova vistoria", disse Venturelli. Ele lembrou que foi o responsável por várias interdições na Prefeitura. Uma delas ocorreu no início da gestão do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), em 1993. "Na época, o trabalho foi considerado uma medida política", afirmou o diretor do Contru.
O secretário de Comunicação Social da Prefeitura, Antenor Braido, disse que, na medida do possível, a Prefeitura realiza as obras solicitadas pelos bombeiros. Segundo ele, a construção antiga e o tombamento dificultam a instalação de modernos sistemas de segurança. "Como o edifício é tombado, fica difícil fazer obras sem alterar o estilo do prédio", disse Braido. De acordo com ele, já foram executadas muitas exigências dos bombeiros, como a manutenção constante de extintores de incêndio e construção de acessos para deficientes físicos.


