Sede da Eco Paraná será em Foz
Sede da Eco Paraná será em Foz
Valmir Denardin
Ney de SouzaBenvenutti: A crise não é só do turismo. Ela afeta todas as áreas, no Brasil inteiroFoz do Iguaçu vai sediar a Eco Paraná, uma agência de capital privado que está sendo criada pelo governo do Estado e que terá a função de fomentar projetos na área do turismo ecológico. A garantia foi dada pelo presidente da Paraná Turismo, Wádis Benvenutti, em entrevista à Folha.
Gaúcho, Benvenutti mora em Foz desde 1973, onde atua no comércio e na hotelaria. Ele preside a empresa estadual de turismo desde fevereiro de 1995. Na sua opinião, as saídas econômicas para a cidade são o fortalecimento do turismo ecológico e a captação de eventos.
Folha - Como será a atuação da Eco Paraná?
Wádis Benvenutti - A Eco Paraná é uma proposta do governador Jaime Lerner (PFL), enquadrada na medida provisória federal número 1.591, que prevê a constituição de organizações sociais. São uma nova figura jurídica, de direito privado, que têm a possibilidade de, através de contratos de gestão, prestar serviços ao governo e às empresas do setor. Todo o turismo paranaense é ligado ao meio ambiente e muitos projetos deverão ser feitos nessa área. A Paraná Turismo não tem condições de elaborar muitos projetos e o Estado só pode contratar mediante concurso. A Eco Paraná será uma agência de fomento, que terá mais agilidade de alavancar projetos na área de turismo, em sintonia com a iniciativa privada.
Folha - Como está a tramitação do projeto na Assembléia Legislativa?
Benvenutti - Poderá ser votada até o final de maio.
Folha - Se a Eco Paraná for criada, que reflexo ela terá no Projeto Costa Oeste?
Benvenutti - O Projeto Costa Oeste vai ganhar mais dinamismo, mais projetos. A equipe técnica do governo é mais restrita e a Eco Paraná poderá contratar uma equipe de técnicos e executar serviços com maior agilidade.
Folha - A sede da Eco Paraná já está definida?
Benvenutti - Já está definido que será em Foz do Iguaçu.
Folha - Que saídas o senhor aponta para melhorar o desempenho do turismo em Foz?
Benvenutti - A crise não é só do turismo. Ela afeta todas as áreas, no Brasil inteiro. Mesmo o Nordeste, que tem o turismo de sol e praia, que representa 83% do turismo mundial, está atravessando a maior crise de sua história. Além dessa crise nacional, Foz enfrenta problemas circunstanciais. O motivo da viagem de cerca de 90% das pessoas que vinham a Foz eram as compras no Paraguai. Devido à globalização, que facilitou a importação de produtos no Brasil, esse motivo está deixando de existir. O que precisamos é criar um novo motivo. Temos agora que trazer o turista para ver as Cataratas e conhecer os nossos atrativos naturais, como o Parque das Aves, Itaipu, o Marco das Três Fronteiras, o Ecomuseu, o Mineral Parque... Outra saída que temos são os eventos. As compras no Paraguai e as belezas naturais funcionam como um argumento importante para captar eventos para Foz. O turismo de eventos é o segmento que considero mais interessante economicamente. Ele é praticado em baixa temporada, a média de permanência é 2,5 vezes maior e a média diária de gasto é o dobro da do turista tradicional.
Folha - O que Foz precisa fazer para melhorar a captação de eventos?
Benvenutti - Estamos lutando para concluir o Centro de Convenções, apesar de a cidade já ter uma estrutura que eu diria que só perde para São Paulo, ficando no nível de Salvador e do Rio de Janeiro. Temos hotéis com estrutura muito boa de eventos. Precisamos criar também um Convention Bureau, para fazer a divulgação e atrair novos eventos.
Folha - E para atrair mais visitantes para as belezas naturais?
Benvenutti - O Plano de Revitalização do Parque Nacional do Iguaçu é fundamental, para termos um produto turístico à altura da beleza das Cataratas. Precisamos de um novo elevador, totalmente panorâmico; um mirante para a contemplação das Cataratas, do Rio Iguaçu e do parque; reabertura das trilhas, do museu e da Usina São João, que hoje estão fechados; a melhoria do transporte... Hoje, como beleza cênica, as Cataratas não têm similar no mundo. Mas, como produto turístico, deixam muito a desejar.
Folha - Qual é o papel da Paraná Turismo nesse processo?
Benvenutti - É estimular o investimento do Estado em infra-estrutura básica, funcionar como um fomentador em projetos da iniciativa privada e divulgar o destino turístico, em parceria com as operadoras, principalmente por meio da participação em feiras de turismo.
Folha - Qual é o orçamento da Paraná Turismo para este ano?
Benvenutti - Temos um orçamento de R$ 35 milhões, incluindo obras na Costa Oeste, promoção e divulgação. Não é o ideal, mas trabalhamos em parceria, principalmente com a Foztur e as prefeituras de Curitiba e de outras cidades.
Folha - Que avaliação o senhor faz do espaço que Foz merece nas campanhas promocionais da Embratur?
Benvenutti - A Embratur está melhorando a cada ano. Mas, enquanto ela tem US$ 24 milhões este ano para divulgar o Brasil no resto do mundo, Aruba está investindo US$ 6 milhões só no mercado brasileiro. Não é fácil contemplar o Brasil inteiro. No dia 8 de junho, vamos aproveitar a visita do presidente da Embratur, Caio de Carvalho, para mostrar os projetos de Foz do Iguaçu e tentar obter a verba de R$ 1,6 milhão que eles tem para o investimento em centros de convenções no Oeste do Paraná. Queremos esse dinheiro para o Centro de Convenções de Foz, para pagar os projetos de ampliação, que prevê a construção de uma área de congressos e covenções.
Folha - Se o projeto que cria cassinos no Brasil for aprovado, que reflexo ele terá na economia de Foz?
Benvenutti - A liberação de cassinos no Brasil é prejudicial para Foz. Somos a única cidade do Brasil que tem cassinos para oferecer legalmente, devido à proximidade com esses estabelecimentos no Paraguai e na Argentina. No momento em que liberarem os cassinos no País, uma cidade como Campos do Jordão (estância turística paulista), por exemplo, poderá abrir um cassino e atrair a clientela de São Paulo e do Rio, que hoje vem jogar aqui.





