Secundaristas estão acampados na Câmara
Os estudantes secundaristas que ocuparam a Câmara Municipal de Londrina na sexta-feira (4) não pretendem deixar o local neste segunda-feira (7), diferentemente do que havia declarado o presidente do Legislativo, Fábio Testa, após uma reunião com os estudantes.
O grupo disse que conversará com os vereadores na segunda, mas que vai permanecer no local por tempo indeterminado. Eles são contrários à PEC 55, que tramita no Senado, que congela dos gastos e investimentos públicos por 20 anos; à Medida Provisória (MP) 746, que estabelece a reforma do ensino médio; e também à proposta "Escola Sem Partido", cujo objetivo é eliminar supostas "doutrinações ideológicas" durante as aulas.
Os secundaristas estão acampados no saguão do Legislativo. No domingo à tarde, havia poucos estudantes no local. Parte do grupo foi fazer a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Eles contaram que estão sem acesso à cozinha e aos banheiros. "Estamos indo em casa fazer comida e trazemos para o pessoal", disse um estudante que não quis se identificar.
De acordo com os jovens, o clima está tranquilo. "Ocupamos aqui embaixo (apontando para o saguão do prédio), os seguranças estão por aqui. Mas está tudo tranquilo e vamos ficar pelo tempo que for preciso", disse outro estudante. No sábado, eles organizaram duas oficinas de química e pretendem fazer uma oficina de ioga nesta segunda.
A FOLHA procurou o presidente da Câmara, Fábio Testa, e a vice-presidente, Elza Correia, mas nenhum dos dois atendeu as ligações. De acordo com a assessoria de imprensa do Legislativo, a expectativa é que seja mantido o acordo firmado entre os estudantes e a mesa executiva e que o funcionamento seja normal a partir das 14 horas desta segunda-feira.
Os secundaristas estavam nas ocupações das escolas estaduais de Londrina, que foram desocupadas no fim de outubro e início de novembro, por ordem judicial. Segundo o governo, até sábado (5), 122 instituições estaduais continuavam ocupadas. O movimento Ocupa Paraná iniciou as ações na primeira semana de outubro e chegou a ter 850 escolas ocupadas. Mas nas últimas semanas, o movimento começou a perder força em função das reintegrações de posse determinadas pela Justiça.
LEVANTAMENTO
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas, de Curitiba, apontou que 69% dos entrevistados desaprovam a ocupação das escolas estaduais, 28,3% aprovam e 2,7% não sabem ou não responderam. Foram entrevistadas 1.418 pessoas, maiores de 16 anos, em 68 municípios, entre os dias 1 e 3 de novembro.
Ainda de acordo com a pesquisa, a maioria dos entrevistados (58,9%) disse ter ouvido falar dos motivos que levaram os estudantes a ocupar as instituições de ensino da rede estadual. Do total, 21,6% responderam não saber sobre os motivos, 17,7% declararam que conhecem "mais ou menos" e 1,8% não sabe ou não respondeu.
Sobre essas reivindicações, 62,2% das pessoas ouvidas pelo instituto declararam que consideram válidas; 27,9% afirmaram que não; 8,2% acreditam que elas são "mais ou menos" válidas e 1,8% não sabe ou não respondeu. Apesar disso, grande parte dos entrevistados (84,2%) disse que os jovens deveriam desocupar as escolas e encontrar outra forma de se manifestar.(A.M.P.)





