Nova Délhi - A Índia foi de novo ameaçada ontem por uma série de confrontos religiosos, depois do fracasso das negociações que pretendiam solucionar uma diferença entre hindus e muçulmanos a respeito de um lugar santo.
O governo central tem agora quatro dias para evitar os choques na cidade de Ayodhya, no Norte do país, onde os hindus radicais querem organizar na sexta-feira uma cerimônia para começar a construção de um templo sobre o local em que uma mesquita do século XVI foi destruída.
A frente muçulmana indiana (All India Muslim Personal Law Board, AIMPLB), que representa os 125 milhões de muçulmanos do país, anunciou no domingo que tinha rejeitado uma fórmula de ‘‘compromisso’’ proposta pelo mediador principal da diferença, Shankarcharya Jayendra Saraswati, um das quatro principais autoridades hindus.
Essa proposta incluía a promessa dos hindus de respeitar a decisão da Justiça sobre a propriedade do local em questão, na medida que a construção de seu templo podia começar num terreno vizinho, onde se deve realizar a cerimônia, sexta-feira.
O movimento muçulmano afirmou que não é possível aceitar as propostas feitas porque as considera ‘‘incompletas’’. O movimento radical Vishwa Hindu Parishad (conselho mundial hindu, VHP), de quem é a iniciativa de construção do templo, respondeu que mantinha a cerimônia. ‘‘Estamos decididos a realizar a cerimônia do dia 15 de março’’, afirmou o secretário-geral do VHP, Pravin Togadia. ‘‘A paciência dos hindus tem limites’’, acrescentou. ‘‘Nesse dia, o país inteiro estará com os olhos voltados para Ayodhya. ‘‘O governo deve levar o movimento hindu em consideração’’, advertiu.
A antiga mesquita de Ayodhya foi destruída por milhares de hindus radicais em dezembro de 1992, o que motivou os piores choques inter-religiosos depois da independência, com um balanço de cerca de dois mil mortos.
Segundo os hindus, a mesquista tinha sido construída sobre um templo dedicado ao Deus Ram, uma das principais divindades da religião. No domingo à noite, o primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, presidiu uma reunião de última hora ministros durante a qual se discutiu as diferentes opções em previsão da cerimônia de sexta-feira.
As recentes agressões de hindus e muçulmanos no Estado de Guajarat, que causaram cerca de 700 mortos, foram uma série de advertências sobre as ameaças dos novos choques.
Os motins de Gujarat foram desencadeados pelo ataque lançado pelos muçulmanos contra um trem com peregrinos hindus que voltavam de Ayodhya. Todos os olhares estão voltados agora para a Suprema Corte, que deve falar hoje sobre os recursos para que se adie a cerimônia do VHP.

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