Brasília, 15 (AE) - Os secretários municipais de educação querem um aumento de R$ 315,00 para cerca de R$ 400,00 no valor mínimo aplicado este ano por aluno do ensino fundamental. Reunidos em um encontro, em Brasília, integrantes da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) decidiram entregar ao Ministério da Educação (MEC) documento pedindo o reajuste do valor do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef), composto por receitas dos Estados e municípios e com a complementação do governo federal. A manifestação acontece quatro dias do anúncio, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, da primeira avaliação do Fundef no País.
"Com a perspectiva de inflação, não podemos continuar aplicando o mesmo valor do ano passado", afirma o presidente da Undime, Neroaldo Ponte de Azevedo. Este ano, o governo destinará quase R$ 900 milhões para complementar Estados e municípios cujas receitas, reunidas, não atingem o valor de R$ 315,00 por aluno/ano, mas o MEC alega não dispor de mais recursos para aumentar a participação.
Segundo Azevedo, considerando o número de alunos e a receita de Estados e municípios, esse valor tinha de ser maior. "É muito importante rever para que se tenha um financiamento mais adequado", diz, explicando que a crise econômica não pode afetar a qualidade crescente da educação fundamental a partir da criação do fundo.
Os secretário municipais defendem o Fundef e nem de longe concordam com governadores contrários à redistribuição de verbas do ensino fundamental. "O fundo é importante e garantiu melhorias do sistema, especialmente nos pequenos municípios do norte e nordeste", reconhece o presidente da Undime, secretário de educação de João Pessoa.
Além do valor do fundo, os secretários querem discutir com o governo federal e Estados como voltar a incentivar o ensino infantil, deixado um tanto de lado depois da valorização do aluno do ensino fundamental. "Queremos também discutir a redistribuição do salário educação entre Estados e municípios", anunciou Azevedo, que pretende divulgar o documento com as reivindicações amanhã.

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