Secretários querem vigilância nas fronteiras
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sábado, 20 de janeiro de 2007
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O governo federal deverá receber, nos próximos dias, um documento solicitando urgente fiscalização nas fronteiras secas do Brasil com o intuito de reduzir a criminalidade e minimizar o poder das facções criminosas que agem dentro e fora dos presídios. Um dos pontos mais visados é a fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina, através de Foz do Iguaçu. ''A região é rota para o tráfico de drogas e armas. Isso incentiva o crime urbano, usual. Mas é o grande motivador do crescimento do crime organizado. Acabar com a entrada do tráfico pelas fronteiras secas brasileiras significa enfraquecer as facções criminosas e reduzir a criminalidade'', afirmou ontem o secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, que é também presidente do Colégio Nacional de Secretários Estaduais da Segurança Pública.
Reunidos em Curitiba, 12 representantes de Secretarias de Estado de Segurança Pública redigiram propostas que serão apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos ministérios da Defesa e da Justiça. Para as fronteiras secas, a proposta é a união das polícias na fiscalização do Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A idéia é usar as polícias civil, militar, rodoviária, federal e as Forças Armadas Brasileiras (FAB). ''Temos que ter uma ação preventiva nas fronteiras. Vamos agir de forma intensiva, adotando medidas práticas. A palavra de ordem é integração, mas com o Exército nas ruas, ajudando a cuidar de nossas fronteiras'', afirmou o secretário adjunto de Defesa Social de Minas Gerais, Flávio Sapori.
Outra ação será a troca de informações entre as Secretarias. ''Temos que trocar informações cotidianas sobre o crime organizado. A ação do PCC, por exemplo, passa as fronteiras e as divisas nacionais. Temos que criar uma rede de setores de inteligência com atuação policial preventiva'', sugeriu Sapori. Delazari concorda. ''Nosso País é uma avenida de tráfico. A integração sistêmica do serviço de inteligência e do sistema penitenciário vai nos colocar a frente dos marginais'', ponderou Delazari.
Os secretários vão ao governo federal com propostas que já foram feitas anteriormente. Delazari salienta que é necessário cobrar até que o problema seja solucionado. ''Vamos levar de novo essa demanda. A solução da criminalidade passa por essas modificações''. Ele confirmou estar preocupado com a migração de bandidos de outros Estados para o Paraná. ''Essa é a nossa preocupação. Por isso temos que agir em conjunto''.
Outra reivindicação que será levada ao governo federal é a destinação de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública para os Estados. Minas Gerais, por exemplo, recebeu R$ 30 milhões em 2003 para investir em segurança do governo federal. Em 2006, os valores foram reduzidos a R$ 4 milhões e o Estado teve que investir R$ 270 milhões em recursos próprios. Já o Paraná, recebeu R$ 10 milhões de 2003 a 2006 e investiu no mesmo período R$ 220 milhões em recursos próprios.


