Secretários formam frente contra aumento nos insumos agrícolas
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segunda-feira, 08 de março de 1999
Por Mariangela Herédia 
Brasília, 09 (AE) - Secretários estaduais de agricultura reunidos hoje no Ministério da Agricultura decidiram propor um pacto às indústrias de fertilizantes, sementes, vacinas e todos os insumos básicos usados na produção agropecuária, que foram reajustados entre 40% e 70% após a desvalorização cambial. Para o presidente do Fórum Nacional dos Secretários de Agricultura, Haroldo Vasconcelos, o pior é que, além dos aumentos "injustificados", os produtos estão desaparecendo do comércio. "É uma especulação total e, se não conseguirmos um acordo, o governo terá de intervir", avaliou.
A reunião com as entidades representativas das indústrias de insumos deverá ocorrer em Londrina (PR), no dia 7 de abril, em novo encontro do Fórum Nacional dos Secretários de Agricultura. O presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Roberto Rodrigues, o ministro da Agricultura, Francisco Turra e dirigentes da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) também deverão participar da reunião com os representantes da indústria de insumos agrícolas.
Para Vasconcelos, se não for possível um grande pacto pelo fortalecimento do agronegócio, o País poderá ter problemas na próxima safra e no programa de erradicação da febre aftosa. "A época da vacinação ainda não chegou e os preços já subiram até 70% em alguns Estados", exemplificou.
O presidente da Abag, Roberto Rodrigues, disse que os ganhos que deverão ocorrer este ano com a desvalorização cambial poderão ser anulados no ano que vem com o incremento dos custos de produção. Segundo ele, os aumentos de custos na produção de algodão e milho na próxima safra já são estimados em 12% a 13%.
Recursos - Os secretários de agricultura decidiram hoje se mobilizar pela recomposição dos recursos orçamentários destinados à defesa agropecuária, reduzidos de R$ 150 milhões para R$ 40 milhões.
O presidente do Fórum disse que os secretários terão encontros com o vice-presidente Marco Maciel, o ministro da Agricultura, Francisco Turra, e parlamentares da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados para tentar conseguir mais recursos. "Os R$ 40 milhões aprovados são para o ministério manter a fiscalização e os laboratórios e não há dinheiro para os Estados executarem os programas de defesa animal e vegetal", disse Vasconcelos.
Um dos programas atingidos será o de erradicação da febre aftosa, fundamental para o aumento das exportações brasileiras de carnes. "O problema não é somente a volta da doença, mas a perda da credibilidade do País", afirmou.


