Secretários das Finanças e Administrações Regionais pedem demissão
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domingo, 12 de setembro de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 13 (AE) - Os secretários municipais das Administrações Regionais, Domingos Dissei (PPB), e das Finanças, José Antônio de Freitas, deixaram ontem os seus respectivos cargos.
A explicação oficial para as mudanças é que Dissei pediu demissão para dedicar-se à sua campanha de reeleição e Freitas por motivos familiares, mas a atuação dos dois secretários estava sendo alvo de críticas contumazes dentro e fora do governo municipal.
O "bloco" governista na Câmara Municipal estava pressionando há meses o comando político do Executivo para que Dissei deixasse o cargo. Eles estavam descontentes com a forma como o secretário das Administrações Regionais estava conduzindo a secretaria e acusavam o companheiro de parlamento de impedi-los de particpar do processo político.
Integrantes das bancadas do PPB, PFL e do PTB reclamavam há meses que Dissei marcava reuniões em vários bairros da cidade e nem sequer convidava os parlamentares que tiveram votações expressivas nessas regiões.
De acordo com os vereadores governistas, os pedidos de atendimento que encaminhavam a outras administrações regionais também dificilmente eram resolvidos.
Com a proximidade do prazo final para mudanças partidárias e os preparativos para as eleições do ano 2.000, as tensões aumentaram. Os parlamentares começaram a reclamar ainda mais com o secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg.
O argumento apresentado a Meinberg era que, como há uma tendência natural de Dissei disputar a reeleição no próximo ano, a permanência no cargo de secretário lhe daria uma vantagem que nenhum outro vereador teria.
A mudança começou a ser tratada no governo como uma necessidade política para garantir o apoio da maioria dos parlamentares na Câmara.
Na Câmara, a cada dia que passa aumentam os comentários de que os dois pedidos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que atingiriam diretamente o Executivo, estariam sendo usadas pelos próprios governistas como uma nova moeda de negociação para ampliar espaços no Executivo.
Com o retorno de Dissei ao Legislativo, Pitta ganha um aliado direto.
O ex-secretário das Administrações Regionais reassumirá a vaga atualmente ocupada pelo suplente Osvaldo Sanches (PPB), que na última semana votou a favor da CPI da oposição - que propõe investigar denúncias de irregularidades envolvendo órgãos municipais e vereadores.
De acordo com a Secretaria Municipal de Comunicação Social, Dissei somente deixou o cargo por decisão pessoal, e não por pressões políticas. Pitta disse a Dissei que, se quisesse pernanecer no cargo, continuaria.
A decisão de sair teria sido tomada pelo próprio secretário, que alegou precisar dedicar-se à campanha política para tentar a reeleição no próximo ano.
Desde que iniciou o corte de despesas orçamentárias para tentar contornar a crise financeira do Município - provocada pelos gastos excessivos ocorridos em 1996, ano em que Pitta foi eleito prefeito de São Paulo -, Freitas tem sido pressionado por todos os secretários municipais. Ele apresentou vários pedidos de demissão, mas o prefeito não os aceitou.
Durante uma reunião com outros secretários no gabinete de Pitta, Freitas mostrou-se contrário à liberação de recursos para a execução de projetos e programas que contrariavam os seus planos para encerrar o ano com superávit orçamentário e um dívida de curto prazo estimada em R$ 500 milhões.
Diante da pressão, Freitas pediu demissão. O prefeito chegou a aceitar o pedido de demissão e a procurar um substituto, mas retardou a saída do secretário das Finanças para concluir a renegociação da dívida mobiliária com o governo federal e escolher o seu novo partido político.
Uma das posições de Freitas, contestadas por assessores políticos de Pitta, é evitar a retomada de várias obras ao mesmo tempo. O ex-secretário de Finanças não concorda em liberar recursos para a primeira linha do fura-fila e também retomar o Cebolinha - o complexo de viadutos sobre a Avenida 23 de Maio -, mas os assessores políticos acham fundamental concluir as duas obras.


