Brasília, 4 (AE) - O secretário de Fazenda de Minas Gerais, José Augusto Trópia Reis, estará amanhã à tarde em Brasília para uma reunião com o secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, em mais uma tentativa de renegociar o acordo da dívida e pôr um fim à moratória mineira, declarada pelo governador Itamar Franco no início de janeiro. A reunião pode, no entanto, ser prejudicada pelas declarações feitas na sexta-feira pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que
em palestra proferida em Nova York, recomendou a investidores estrangeiros que evitassem investir em Minas Gerais. O governador Itamar Franco já garantiu que vai processar o presidente do BC. O fato pode prejudicar o retorno dos pagamentos da dívida rengociada por Minas, já que o governador mineiro pode aproveitar-se da situação para argumentar que o governo federal continua com "má vontade" para renegociar as dívidas, mesmo no âmbito técnico, avalia uma fonte da Fazenda de Minas ouvida hoje cedo. Na última reunião realizada com Barbosa no mês passado, o secretário mineiro formalizou junto ao Tesouro Nacional a decisão do governador Itamar Franco de retomar o pagamento dos empréstimos feit os junto ao Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano (BID). O objetivo do governo mineiro é conseguir aval do Tesouro para a formalização de novos empréstimos no valor de US$ 350 milhões junto ao Banco Mundial, para um programa de reforma e construção de estradas no Estado. Trópia Reis informou que o governo mineiro iria pagar no próximo ano a última parcela de US$ 100 milhões dos Eurobônus lançados no governo Hélio Garcia (1994). O vencimento está previsto para fevereiro, mas o Orçamento do Estado para 2000, enviado na semana passada à Assembléia Legislativa de Minas, não prevê recursos para efetuar este pagamento, nem mesmo as parcelas da dívida renegociada junto à União.
A moratória declarada por Itamar Franco em janeiro na verdade não teve efeito prático, já que o Tesouro Nacional, por meio de bloqueios mensais, reteve o repasse de recursos para o Estado, mantendo os pagamento s das parcelas por esta medida. De janeiro até agosto, de acordo com dados da Fazenda de Minas, já foram bloqueados R$ 570 milhões, montante que cobre as parcelas que deveriam ser pagas pelo Estado à União neste período.

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