Brasília, 22 (AE) - O secretário de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Adão Vilaverde, teme que os R$ 900 milhões anuais de recursos novos que o governo pretende garantir para ciência e tecnologia com a criação dos fundos setoriais tenham o mesmo fim que a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Criada para ampliar as verbas da saúde, a CPMF acabou quase inócua porque sua adoção foi acompanhada da redução do orçamento da saúde.
"Isso só não vai ocorrer conosco se a comunidade científica for capaz de sensibilizar o Congresso e a sociedade da importância estratégica de ampliar os investimentos no setor para desenvolver o País", diz Vilaverde, lembrando que mesmo a aprovação pelo Congresso dos fundos setoriais propostos pelo governo não está garantida.
Com a mesma preocupação, ontem, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), por meio de seu jornal eletrônico, conclamou a comunidade científica a mobilizar-se politicamente pela aprovação dos fundos.
Segundo Vilaverde, há fortes indícios de que o setor de telecomunicações, por exemplo, está pressionando contra a aprovação do fundo para essa área.
Com os fundos setoriais, o governo cria royalties que serão pagos por empresas de setores estratégicos a fim de garantir recursos para pesquisa nessas áreas. Juntos, segundo estimativas do Ministério da Ciência e Tecnologia, os fundos devem dobrar, nos próximos anos, as verbas federais destinadas ao setor.

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