Secretário suspende pagamentos de remédios e determina auditoria
Secretário suspende pagamentos de remédios e determina auditoria17/Mar, 20:52 Por Luciana Garbin São Paulo, 17 (AE) - O secretário municipal da Saúde de São Paulo, Jorge Roberto Pagura, disse hoje supor que a compra superfaturada de medicamentos por uma das cooperativas do Plano de Assistência à Saúde (PAS) - já extinto -, denunciada ontem pelo vereador Carlos Neder (PT), deve ter ocorrido na transição do sistema. Ele se refere à reestruturação promovida em julho, na qual os antigos 14 módulos do PAS foram agrupados em 4 cooperativas. "Ainda não tive oportunidade de ver os documentos das denúncias, mas estamos tomando providências", afirmou o secretário, que suspendeu os pagamentos de remédios e determinou uma auditoria nas contas da secretaria de 1999 e a abertura de sindicância. "De qualquer forma, não vai haver perdas, pois os fornecedores de medicamentos ainda têm dinheiro a receber." Sobre a falta de controle na saúde municipal, Pagura negou responsabilidade. "Há uma série de órgãos com o objetivo de evitar superfaturamento, mas não se pode garantir que alguém não vá tentar burlar o sistema por melhor que ele seja." Entidades ligadas à saúde, no entanto, discordam sobre a eficiência do PAS e lembram que as acusações da primeira-dama Nicéa Pitta só vêm reforçar antigas denúncias de corrupção. "Temos fortes evidências de superfaturamento na compra de medicamentos e insumos pelas cooperativas", disse o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, José Erivalder de Oliveira. "Em 1998, enviamos ao Ministério Público um dossiê de 5 mil páginas sobre irregularidades." Para a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, Claudete Alves Souza, a roubalheira é antiga. "Não só a Nicéa foi testemunha da corrupção, mas todos os servidores municipais", afirmou. "A diferença é que não dormimos com o prefeito." Hoje as empresas cujos nomes aparecem em notas fiscais apresentadas nas denúncias de Neder negaram participação em esquemas de propina e responsabilizaram o PAS. "Entramos na concorrência, damos nosso preço e eles compram se quiserem", disse um dos proprietários da Araçaí, Osvaldo Costa Sobrinho. "Além disso, vendemos abaixo do preço de fábrica." "Tenho tudo documentado e, no caso do item citado pelo vereador, o pedido foi feito em caráter de emergência e eles sabiam do nosso preço", complementou o diretor da Kosmetik, Fernando de Castro. Já o diretor da Tecnolabor, João Alberto Araújo, afirmou que o problema é político. "Em ano eleitoral, começam a estourar coisas para incriminar injustamente empresas sérias." Na Medical Line, o caso é para arrependimento. "Além de não termos recebido pagamento, ainda nos puseram no jornal." Na Apoio Médico Hospitalar, o responsável pela empresa não estava. No prédio da Real Técnica, local apresentado pelo vereador como ponto de negociatas, o porteiro informou que a única secretária que trabalha ali está em férias.





