Secretário repudia acusação de que há complô contra Lerner
Luciana Pombo
De Curitiba
O secretário da Segurança Pública, José Tavares, viu contradições na entrevista que o ex-delegado-geral da Polícia Civil João Ricardo Képes Noronha concedeu ao jornalista José Maschio, da Folha de S. Paulo. As matérias sobre a entrevista de Noronha começaram a ser divulgadas na quinta-feira. Entre as novas acusações feitas pelo ex-delegado está a formação de um complô político para desestabilizar o governo Jaime Lerner. Os responsáveis pelo complô seriam, conforme Noronha, Arthur Braga (também ex-delegado-geral da Polícia Civil), Adauto de Oliveira (titular do Grupo Força Especial de Repressão Antitóxicos Fera) e o próprio secretário José Tavares.
Esta é a estratégia de defesa dele, mas está contraditória. Eu fui colocado no cargo pelo próprio governador Jaime Lerner e estou apenas cumprindo as minhas atribuições como secretário, afirmou Tavares. De acordo com ele, a função da Secretaria da Segurança é a de levantar os dados e investigar as denúncias apresentadas durante a instalação, em Curitiba, da Comissão Nacional Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o narcotráfico. Tenho que trabalhar agora para levantar a auto-estima dos policiais, que ficou desgastada. Quero melhorar a imagem da Polícia Civil. E só fazemos isso com transparência, disse Tavares.
O delegado Adauto de Oliveira também negou a existência de um complô para desestabilizar o governo do Estado. Sou apolítico. Meu partido é a Polícia Civil, afirmou ele, ao declarar que nada tem a ver com o surgimento das denúncias contra o delegado Noronha. Eu nunca soube das ligações dele com o narcotráfico. As notícias me pegaram de surpresa. As provas foram levantadas pela CPI do Narcotráfico e pela Promotoria de Investigações Criminais, disse.
Já o delegado Arthur Braga, uma das únicas testemunhas a falar em espaço reservado com os integrantes da CPI em Curitiba, disse que as afirmações de Noronha não retratam a verdade. Não existe complô. Não fui depor contra ele ou levar provas de sua participação com o narcotráfico. Meu depoimento foi para esclarecer o que eu fiz quando delegado-geral da Polícia Civil, informou.





