Curitiba- O secretário Estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, rebateu ontem as críticas feitas pelo presidente paranaense da União Democrática Ruralista (UDR), Marcos Prochet, em reportagem publicada sábado na Folha de Londrina. Procurado para repercutir a notícia da prisão do presidente da Comissão de Mediação de Conflitos Agrários da secretaria, Jocler Procópio, o representante da UDR afirmou que a corrupção é comum na tentativa de resolução dos conflitos agrários. Jocler Procópio foi preso na semana passada, em Curitiba, acusado de pedir propina a fazendeiros para realização de reintegração de posse.
O ruralista declarou que vários fazendeiros reclamavam de estarem sendo ''chantageados'' por Jocler para a retirada dos sem-terra das áreas com reintegração determinada pela Justiça. ''Se os fazendeiros estavam sendo chantageados, como ninguém se manifestou? Como eles sempre fazem, poderiam ter procurado a secretaria ou até mesmo a imprensa. Esta declaração foi completamente oportunista e irresponsável'', disse Delazari.
O secretário afirmou ainda que ao contrário do que a Folha publicou no sábado, as investigações não foram iniciadas pela Central de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Cisesp). ''Eu recebi a denúncia do próprio fazendeiro que estava sendo extorquido pelo Jocler. Pessoalmente determinei abertura de inquérito, fui até a fazenda duas vezes, comandei as investigações e fiz questão de prender pessoalmente meu ex-assessor para mostrar que não permito corrupção e seja quem for será preso e responsabilizado'', afirmou. Delazari esclareceu ainda que as investigações duraram cerca de um mês e não foi usada técnica de interceptação telefônica.
A Folha voltou a procurar a UDR ontem e Prochet disse que os fazendeiros não denunciavam o crime à Sesp porque o ''corruptor estava dentro da secretaria''. ''Já que não é prática comum (corrupção na Comissão de Mediação de Conflitos Agrários), esperamos que a partir de agora se cumpram as ordens de reintegração de posse'', diz Prochet, que é vice-presidente da UDR nacional. Segundo ele, o Paraná hoje tem mais de 50 fazendas invadidas por sem-terra, sendo que algumas delas já estão ocupadas há cerca de 10 anos.

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