Secretário questiona atuação de médicos
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quarta-feira, 08 de setembro de 2004
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O secretário de Saúde de Londrina, Sílvio Fernandes da Silva, afirmou ontem que ''alguns médicos'' estão queixando-se do limite de cirurgias imposto pelo Ministério da Saúde porque teriam ganhos reduzidos e interesses pessoais contrariados. ''Não estou generalizando, mas não é possível o que alguns profissionais querem, que é fazer cirurgias de doentes de outros locais com o dinheiro do Sistema Único de Saúde (SUS) de Londrina'', sugeriu.
A Associação Médica de Londrina (AML) anunciou que vai entrar na Justiça contra a decisão da secretaria de interromper os pagamentos de honorários do SUS direto aos médicos. De acordo com o cardiologista Francisco Gregori Junior, membro da AML, a secretaria estaria atrasando o pagamento dos profissionais. O atraso no repasse dos recursos federais aos hospitais chegaria a seis meses. ''Não é o hospital que retém o dinheiro. O médico ainda atende, mas o fornecedor de material é frio e ele não fornece. Quem sofre é o paciente carente que fica sem atendimento'', salientou. Fernandes, no entanto, afirmou que o pagamento através dos hospitais é uma determinação federal e tem de ser cumprida em todo o País.
Para Gregori, está havendo desvio de finalidade da verba repassada pelo Ministério da Saúde. ''Houve erro administrativo. Não é desvio em benefício próprio, mas desvio de finalidade'', destacou. Silvio Fernandes ressaltou que a demora ocorre para que as contas sejam auditadas corretamente. ''É um procedimento de alto custo. Não podemos pagar por cirurgias cardíacas de outras cidades, levando à extrapolação do teto'', disse o secretário.
''O pior é que o secretário disse que, dependendo da auditoria, o procedimento pode até não ser pago'', rebateu Gregori. Segundo Fernandes, as cotas são suficientes para atender a demanda de Londrina e das cidades da região.


