Secretário quer reunião do PT antes de encontro com Garotinho
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domingo, 31 de outubro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 01 (AE) - O secretário estadual do Trabalho, Gilberto Palmares - um dos líderes da Articulação - vai propor ao presidente regional do PT, deputado federal Carlos Santana, uma reunião, na quarta-feira (03), das lideranças de todas as tendências, para tentar um acordo sobre a entrega dos cargos no governo estadual. Como o diretório regional não se reuniu e, portanto, a questão não foi votada, a proposta do secretário é negociar uma definição antes da reunião de Santana com o governador Anthony Garotinho (PDT), na próxima sexta-feira (05).
O impasse está na interpretação da expressão "entrega dos cargos", que consta da resolução tirada no encontro estadual. Para a corrente liderada por Santana, Opção Popular, e o Refazendo, que reúne as tendências à esquerda, não há dúvidas: a entrega é unilateral e significa sair do posto. A Articulação, porém, fez uma saída simbólica do governo, pondo os cargos à disposição, mantidos por determinação de Garotinho.
"Como nenhuma corrente tem maioria folgada, ou definimos por acordo, ou a gente se inviabiliza", afirmou Palmares. A estratégia da Articulação foi a de impedir que o diretório, no qual é minoritária, votasse a proposta da Opção Popular e do Refazendo, que determinava a entrega dos cargos até amanhã (02), às 20 horas. Os integrantes da Articulação apresentaram um recurso ao diretório nacional para garantir o direito a voto de três representantes dos setores sindical, de mulheres e de deficientes físicos - que, para as demais correntes, não poderiam votar. Com isso, a reunião do diretório, ontem (31), sequer pôde ser aberta.
Pela proposta de Palmares, a reunião de lideranças seria, na verdade, um encontro informal da executiva estadual, que não chegou a ser empossada - e na qual a Articulação tem maioria. Segundo ele, seria ainda uma oportunidade de conversar sobre a reunião da frente regional das esquerdas, que também está marcada para amanhã.
A Articulação comemorou como vitória o fato de Santana ter dito que os petistas teriam de deixar o governo até a hora da reunião com Garotinho, em vez de amanhã (02). "Ganhamos mais tempo e abriu-se a perspectiva de um entendimento", disse Palmares - que, no entanto, garantiu que a entrega combinada com Garotinho dos cargos ligados à Articulação valeu. "Não tem brincadeira, entregamos os cargos formalmente", argumentou.
Diretório - No final da discussão de domingo, porém, Santana não parecia disposto a fazer um acordo de lideranças. "Só volto a conversar sobre isso quando houver reunião do diretório", afirmou. O deputado estadual Chico Alencar, um dos líderes do Refazendo, concorda com a idéia da reunião. "Precisamos readquirir governabilidade no Rio, porque não ter conseguido instalar um diretório eleito é o máximo da desagregação", disse.
Dentro das tendências que se opõem à Articulação, há a certeza de que a corrente está apostando em sua maioria no diretório nacional - que se reunirá no próximo fim de semana - para, mais uma vez, conseguir uma intervenção no Rio. "Estão contando com os ovos antes da galinha, porque a conjuntura política é outra ", garantiu o deputado federal Milton Temer, do Refazendo.
Palmares, porém, garantiu que a corrente não vai apresentar nenhum recurso contra a decisão do encontro estadual. "A maioria da Articulação discorda disso e eu não assinarei nada nesse sentido", afirmou. O vice-presidente municipal do PT, William Campos - muito ligado à vice-governadora Benedita da Silva - não descartou, porém, a possibilidade. "Nada impede que eu proponha uma moção no diretório para questionar como a gente aprova uma resolução a favor da aliança com Garotinho e, ao mesmo tempo, entrega os cargos", disse Campos.


