Presidente Venceslau- A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) está pleiteando 40 vagas no presídio federal de Catanduvas, no Paraná, para os presos mais perigosos de São Paulo.
Segundo o secretário Antonio Ferreira Pinto, será uma das medidas para reduzir a tensão no sistema prisional paulista, agravada pela onda de rebeliões ocorrida em maio. ''Temos 19 presídios totalmente destruídos e uma demanda acima da capacidade de atendimento.''
A maior parte das vagas deverá ser preenchida com presos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que vem desencadeando uma série de ataques aos agentes de segurança penitenciária no Estado. O secretário não citou nomes, mas disse que os presos serão escolhidos de acordo com seu perfil. Ele não confirmou se Marcos Camacho, o Marcola, líder do PCC será um dos transferidos. ''Prefiro não falar em nomes.''
A transferência ainda precisa ser autorizada pela justiça federal. ''Já fizemos o pleito'', disse. Ferreira Pinto reuniu hoje 35 diretores de penitenciárias em Presidente Venceslau, a 620 km de São Paulo, para anunciar que o Estado está empenhado em retomar o comando do sistema prisional.
No encontro, com a participação de promotores do Grupo de Ação Especializada em Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e do juiz-corregedor dos Presídios, Fábio D'Urso, além dos comandos regionais das polícias Civil e Militar, Ferreira Pinto culpou a administração anterior pela crise. ''Houve excesso de concessões e regalias para os presos, que agora estão sendo cortadas. Estamos tentando restabelecer uma realidade que foi deixada de lado.''
Ele admitiu o risco de os presos, descontentes com o tratamento, acirrarem os ataques a agentes de segurança e desencadearem rebeliões. Mas garantiu que o Estado não vai recuar. ''Tensão e possibilidade de novas rebeliões é uma constante. Vivemos em alerta permanente, mas vamos continuar, não vamos recuar, nem fazer as concessões que até hoje foram feitas e resultaram nesse estado de coisas caótico.''
A situação dos 1.443 presos confinados num pátio de 30 por 30 no CDP de Araraquara, a 275 km de SP, destruído numa rebelião, não será resolvida agora, segundo Pinto. O secretário disse que as condições ficaram ''extremamente precárias'' depois que foi descoberto um túnel num dos pátios ocupados pelos presos. ''Foi necessário passar os presos para o outro pátio para fechar o túnel.''
De acordo com Ferreira Pinto, a destruição dos 19 presídios deixou entre 12 mil e 15 mil presos dessas unidades em condições precárias de acomodação. ''Estamos fazendo todo o esforço para resolver isso.''
O secretário lamentou a morte do agente de segurança penitenciária Paulo Gilberto Araújo, assassinado ontem em São Paulo. ''É o terceiro esta semana e isso é lamentável. É uma audácia e covardia o que estão fazendo com o agente''
Ferreira Pinto declarou que os funcionários estão sendo orientados para tomar as maiores cautelas. Sobre os outros ataques, como a explosão de uma bomba no bairro do Brás e a pichação de casas de policiais, disse que a investigação e a repressão cabem à Secretaria da Segurança Pública. ''Estamos trabalhando em intercâmbio com a Polícia Civil e a PM. Já tivemos operações com sucesso, em que pessoas foram presas com granadas, que talvez fossem usadas para atacar presídios.''

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