Rio, 10 (AE) - O secretário estadual de Saúde, Gilson Cantarino, afirmou hoje que estuda a possibilidade de implantar pontos eletrônicos nos hospitais da rede pública do estado para controle de entrada e saída dos médicos e enfermeiros e, com isso, tentar evitar casos semelhantes ao do menino Maxwell dos Reis, de sete anos, que teria morrido por falta de atendimento médico no setor de emergência do Hospital Pedro II. A secretária abriu sindicância administrativa para apurar se ocorreu falta de atendimento médico na morte do garoto, ocorrida na manhã de quarta-feira. A comissão de sindicância tem um prazo de dez dias para concluir a investigação.
Segundo a família da Maxwell, ele não foi socorrido porque não havia um médico de plantão na unidade. A criança tinha um tumor cerebral e tinha convulsões frequentes que só podiam ser controladas com medicação. Ele foi internado em estado grave na terça-feira à noite. Maxwell foi enterrado hoje no cemitério de Santa Cruz, na zona oeste.
Três profissionais que deveriam estar de plantão na unidade quando Maxwel passou mal teriam saído mais cedo. Uma pediatra, que era prestadora de serviço, foi dispensada e outros dois médicos já foram afastados temporariamente pela direção do hospital até a conclusão da sindicância. Eles vão ser convocados a prestar esclarecimento à comissão de sindicância.
Outros três médicos que deveriam ter assumido o serviço às 7h do dia da morte de Maxwel e chegaram com um hora de atraso também deverão ser chamados para depôr. Segundo o superintendente de saúde do Estado, Ricardo Peret, nenhum profissional pode sair mais cedo ou chegar mais tarde sem que haja uma explicação. Ele explicou que se a sindicância concluir que houve omissão de socorro, os seis profissionais poderão sofrer sanções, que poderá ir de uma advertência administrativa até a expulsão do serviço público.
A diretora do Hospital Pedro II, Ivonete Marques dos Santos, admitiu, através de sua assessoria de imprensa, que houve negligência da equipe de emergência. O Conselho Regional de Medicina ( Cremerj) também vai investigar o caso. "Vamos fazer uma apreciação e examinar se ocorreu falta de atendimento ao menino ", afirmou o coordenador do setor de ética do Cremerj, Mário Jorge Rosa de Noronha.
Ele disse que se for comprovada negligência por parte dos seis médicos, o Cremerj abrirá um processo ético e os profissionais serão levados a julgamento. De acordo com Noronha, se houver indícios de culpabilidade, os médicos poderão ser advertidos ou ter o registro profissional cassado.

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