Secretário quer garantir recursos para mais frentes de trabalho
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segunda-feira, 02 de agosto de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 3 (AE) - O secretário paulista do Emprego e Relações do Trabalho, Walter Barelli, defendeu hoje a continuidade do programa de frentes de trabalho no ano que vem, para treinar um novo contingente de 50 mil desempregados, hoje à margem do mercado de trabalho. Segundo ele, embora as frentes sejam "um remédio heróico", específico para períodos de crise, sua posição pessoal é de defesa da alocação de recursos para a criação de outras frentes no orçamento do ano 2000, que está sendo elaborado pelo governo do estado.
A utilização ou não desses recursos dependerá do nível do desemprego no ano que vem, especialmente para o contingente de pessoas sem escolaridade. "As iniciativas do governo nessa área vão depender da realidade do momento", disse. "Mas a minha posição, que ainda está sendo discutida com o governo, é de alocação de recursos, para o caso de necessidade."
O programa deste ano está criando 50 mil vagas e tem recursos de R$ 120 milhões. Dos 50 mil desempregados selecionados, 14,2 mil já estão trabalhando desde julho e o índice de desistência é menor do que 1%, o que comprovou a necessidade da iniciativa. Barelli anunciou o preenchimento de mais 18 mil vagas este mês.
Os convocados ficarão seis meses em atividades diversas, recebendo R$ 150 por mês, cesta-básica, vale-transporte e, o que é mais importante, qualificação profissional e orientação para, terminado o período de prestação de serviços, lançar-se em programas de autoemprego e em cooperativas, segundo o secretário.
Por isso, ele prefere que, em vez de serem prorrogadas as atuais frentes, novos desempregados sejam convocados, ampliando o público atendido pelo programa de qualificação.
Não apenas o governo do estado decidiu investir em programas de frentes de trabalho para amenizar o drama do desemprego. Mais de 40 prefeituras no estado mantém iniciativas semelhantes e procuram o governo estadual para obter orientação. Estima-se a criação de 67 mil vagas em programas assim neste semestre, somente no Estado de São Paulo.
Febem - Os 14 mil já aproveitados estão tendo desempenho profissional positivo, na avaliação de representantes das secretarias atendidas - Saúde e Educação, por exemplo.
Eles estão aprendendo ofícios relacionados a reparos de prédios (pintor, pedreiro, eletricista, etc) e passaram a cuidar de vias e prédios públicos, como escolas, postos de saúde e, nessa nova fase, também delegacias de polícia e quartéis.
Cerca de 200 desses trabalhadores estão fazendo a limpeza da Febem do Tatuapé, destruída pelos internos durante rebelião, há pouco mais de uma semana. Eles serão também aproveitados para limpeza e plantio de árvores em parques públicos.
Perfil - Os convocados têm em comum a experiência de mais de um ano de desemprego - 37% informam estar sem ocupação há mais de quatro anos.
A totalidade é constituída de chefes de família, homens ou mulheres, com número médio de três dependentes. Pouco mais de 48% não conseguiram completar o primeiro grau. Desses, 4,8 são analfabetos. A secretaria fez ainda um levantamento curioso: das 35.500 mulheres selecionadas, 6.800 se chamam Maria. Dos 14.500 homens, 1.900 se chamam José.


