Secretário quer explicações de autoridades de GO sobre sequestro
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sábado, 20 de março de 1999
Por Nélia Marquez 
Brasília, 21 (AE) - O secretário nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, vai convidar o secretário de Segurança Pública, Demóstenes Tavares, o comandante da Polícia Militar e o Procurador-Geral de Goiás para dar explicações sobre as investigações do sequestro do composito Wellington José Camargo
irmão da dupla de cantores e compositores sertanejo Zezé Di Camargo e Luciano, e sobre o envolvimento de policiais militares no crime. Segundo Gregori, os três deverão dar os esclarecimentos na próxima reunião do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, que deverá ocorrer na segunda quinzena de abril. "Tendo em vista a gravidade do caso, que resultou até mesmo em mutilação, o depoimento destas pessoas torna-se necessário", disse.
Gregori explicou que, diante da falta de uma legislação que enquadre crimes aos direitos humanos como federais, a única alternativa que cabe ao Ministério da Justiça é convidar as autoridades da área de segurança para dar explicações sobre o caso no Conselho dos Direitos da Pessoa Humana. O sequestro, na opinião dele, "foi um crime gravíssimo contra a lei e contra os direitos humanos".
O secretário lamentou também que não exista hoje um órgão federal que possa interferir diretamente nas polícias militares. Entre os envolvidos no crime, foram apontados pela polícia de Goiás pelo menos dois policiais militares. Para Gregori, é essencial que o "conselho acompanhe de perto o fato para que as investigações sejam feitas com profundidade e os envolvidos sejam punidos exemplarmente".
Se for necessário, disse ele, o conselho poderá pedir que a Polícia Federal (PF) entre no caso. As negociações em torno da liberação de Wellington revelaram também, de acordo com o secretário, a necessidade de aprovação de um manual de qualidade e ética destinado às emissoras de televisão. Gregori referiu-se ao fato de o apresentador Carlos Massa, o "Ratinho"
Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), ter proposto a abertura de serviço telefônico 0900 para conseguir R$ 2 milhões a serem destinados ao pagamento do sequestro - o que acabou atrasando a liberação do sequestrado e elevando o valor do resgate que vinha sendo negociado pela família. "Um caso como este certamente sofreria sanções se o manual tivesse em vigor", afirmou o secretário, que vem discutindo a minuta do manual com algumas emissoras.
Este não foi o primeiro sequestro que contou com a participação de policiais militares. Há dois anos, a filha do senador Luiz Estevão (PMDB-DF) foi sequestrada em crime planejado por dois oficiais da PM.
Para um ex-dirigente da PM de Brasília, o envolvimento de policiais nestes crimes não é uma questão de dinheiro. "O que ocorre é que o trabalho do policial segue numa faixa muito estreita entre a delinquência e a legalidade; se uma pessoa já tem tendência à marginalidade, quando surge a ocasião, ele acaba indo para o outro lado", afirmou o ex-dirigente. No caso do sequestro da filha de Luiz Estevão, o ex-dirigente disse que o tenente Osmarinho, autor intelectual e principal executor do crime, tinha tendências à delinquência. Osmarinho tinha sido até mesmo reprovado no exame psicoténico de admissão à PM. A saída para que tais casos não voltem a se repetir, no entender dele, seria reforçar o exame psicotécnico e torná-lo eliminatório para o ingresso nas PMs.


