Secretário quer dialogar com invasores de fazenda no MS
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terça-feira, 11 de março de 1997
Agência Estado 
ITAQUIRAÍ - O secretário da Segurança Pública do Mato Grosso do Sul, Joaquim DAssumpção Felipe de Souza afirmou ontem que não utilizará força física ou verbal para retirar as 2.500 famílias sem-terra que desde sábado ocupam a Fazenda Santo Antônio, no município de Itaquiraí. Pretendo resolver tudo como nos últimos 28 casos de despejo, ou seja, pelo diálogo, disse ele antecipando que amanhã visitará o acampamento.
O secretário admitiu que não poderá cumprir todos os itens do mandado de reintegração determinados pelo juiz Danilo Borin, do Fórum de Naviraí, que concedeu a liminar de reintegração de posse. O magistrado determina que os invasores retornem a seus locais de origem. Mas todo indivíduo tem assegurado o direito de ir e vir, ressaltou o secretário.
A maioria das famílias arregimentadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), veio de regiões distantes do interior dos estados de Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Há inclusive 150 famílias de brasiguaios. O secretário reconheceu que será impossível garantir a permanência das famílias na cidade. Segundo ele, a prefeitura já está cuidando de outro assentamento de 480 famílias e ainda não teve tempo para construir estradas, escolas e postos de saúde no novo bairro rural.
O prefeito Renato Tonelli (PMDB), disse que a permanência dos sem-terra no município, provocará uma verdadeira calamidade. A Assembléia Legislativa de Campo Grande nomeou uma comissão de deputados que deve acompanhar as negociações para o despejo dos ocupantes da fazenda. A comissão deve acompanhar o encontro que do secretário de Segurança com a superintendência do Incra.
A fazenda Santo Antônio tem 25 mil hectares. Há quatro anos a propriedade foi adquirida pela família de João Bertim, industrial de Lins, dono de frigoríficos no interior de São Paulo. Segundo o advogado Régis Tortorella, a propriedade é um dos modelos de produtividade pecuária do Estado. Só no ano passado mandou para o abatedouro quase 25 mil cabeças de gado, e ainda possui cerca de 17 mil na engorda. Os animais ocupam 176 pastos formados com leguminosas.
Vale - A direção da Florestas Rio Doce, subsidiária da Companhia Vale do Rio Doce, entrou ontem com ação possessória para ter a reintegração de posse da fazenda Pirapama. A propriedade, situada em Tumiritinga (MG), foi ocupada por trabalhadores sem-terra anteontem. A direção da empresa garantiu que nenhum outra medida será tomada enquanto o juiz da Comarca de Governador Valadares não julgar a ação.
Os trabalhadores rurais que promoveram a ocupação continuam acampados na propriedade e esperam que o governo entre como intermediador no processo de desapropriação da terra. O coordenador da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Minas Gerais (Fetaemg), João Calazans, garantiu que os trabalhadores também irão esperar a decisão da justiça local. Se a decisão do juiz for em favor da empresa nós iremos recorrer, alertou.
Os trabalhadores acusaram a Políca Militar da região de ter invadido a fazenda e feito alguns disparos durante a madrugada de ontem. O sub-comandante da Polícia Militar em Governador Valadares, Major Siqueira, garantiu, no entanto, que os disparos foram feitos pelos próprios invasores. A Polícia encontrou um revólver calibre 38 junto com uma mochila e cinco cartuchos de bala disparados, na porteira da fazenda. A Polícia mantém um grupo de oficiais no local acompanhando a movimentaçõa dos sem-terra.
A coordenação da Fetaemg, uma das entidades que organizou a invasão, sustenta que a fazenda Pirapama é inprodutiva. O presidente da Florestas Rio Doce, Celso Castilho de Souza, garante, no entanto, o contrário e possui certificado do Incra. A coordenação do MST da região informou que o movimento não apóia efetivamente a invasão.


