Secretário propõe alternativa para evitar interdição de presídio em Iperó
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por José Maria Tomazela 
Iperó, SP, 13 (AE) - O secretário de Assuntos Penitenciários do Estado, Nagashi Furukawa, propôs uma solução de emergência para evitar a interdição da Penitenciária Estadual de Iperó, a 125 quilômetros de São Paulo, onde um vazamento de esgotos contamina as águas do Rio Sarapuí, que abastece uma população de 60 mil pessoas. Ele quer que a Justiça autorize a desativação de apenas uma das quatro lagoas de tratamento de esgotos e dê um prazo maior para a realização das obras, sem que os 900 presos sejam removidos.
A juíza de Boituva, Ana Cristina Paz Néri, que determinou a interdição das lagoas, com a consequente desocupação do presídio, deu 72 horas para o cumprimento da ordem. O prazo termina sábado. "Não temos para onde levar os prisioneiros, nem como resolver o problema em tão pouco tempo", disse o secretário. A proposta, encaminhada à Procuradoria de Justiça do Estado, prevê o esvaziamento apenas da terceira lagoa
onde estariam ocorrendo os vazamentos. Furkawa explicou que as quatro lagoas estão interligadas e o tratamento é sucessivo.
"A primeira recebe o esgoto in natura e os efluentes, à medida que vão sendo tratados, são passados para a lagoa seguinte". Os técnicos da secretaria pretendem fazer um desvio, ligando a segunda lagoa à quarta. "Com isso, poderíamos reparar a terceira, onde está o problema, sem interferir no funcionamento do presídio". Segundo o secretário, os advogados da Procuradoria estão negociando essa solução com a juíza de Boituva. Caso não tenham sucesso, pedirão a dilação do prazo ao Tribunal de Justiça (TJ).
Embora a secretaria reconheça a existência do problema, o secretário afasta o risco imediato de transmissão de doenças alegado pela juíza. "Técnicos da Cetesb e da Sabesp estão monitorando continuamente a água e me deram essa garantia", disse. O prefeito de Iperó, Benedito Valário (PTB), quer ter garantia de que as outras lagoas não estão comprometidas. "Tive informações de que há infiltração também na quarta lagoa". Amanhã, ele se reúne com representantes do Ministério Público de Boituva para tratar do assunto.
"A população está alarmada com a possibilidade de estar consumindo água contaminada". Além de Iperó, o Rio Sarapuí abastece também a cidade de Boituva. O sistema de captação fica abaixo do ponto onde estão localizadas as lagoas. Segundo Valário, quando a construção teve início, a prefeitura foi à Justiça para exigir que os efluentes fossem lançados à juzante da captação. A Penitenciária de Iperó começou a receber presos há seis meses e já está totalmente lotada.


