São Paulo, 04 (AE) - O secretário dos Recursos Hídricos, Saneamento e Obras, Antônio Carlos de Mendes Thame, prometeu hoje, em São Paulo, que a conclusão do rebaixamento da calha do Rio Tietê, no trecho entre Santana de Parnaíba e São Paulo, será antecipada para novembro. A princípio, as três fases do projeto seriam entregues em abril do próximo ano. Mas, na segunda-feira, o governador Mário Covas (PSDB) reuniu-se com os empreiteiros e pediu o adiantamento.
"Eles aceitaram, comprometeram-se a entregar as obras e não cobraram nada mais pelas horas extras", disse Thame. Ele acredita que a conclusão dessa obra, da canalização do Córrego Cabuçu de Cima e de seis piscinões na bacia do Rio Tamanduateí diminuirá os efeitos das chuvas em 2000. "Certamente, o ano que vem será menos dramático que este".
A segunda etapa do projeto de aprofundamento do Rio Tietê, entretanto, só deve começar no segundo semestre deste ano. Ela abrangerá o trecho entre o Cebolão e a Penha, na zona leste. Sua conclusão está prevista para 2001. Mesmo assim, com a entrega da primeira etapa, ocorrerá um rebaixamento da linha de água do leito até a altura do Rio Tamanduateí. O que, de acordo com o diretor de Obras da secretaria, Antônio Carlos Nepomuceno, deve absorver uma parcela das enchentes. Negociação - O governo do Estado negocia com bancos japoneses que financiaram a primeira etapa do projeto a utilização das sobras de recurso no trecho da capital. A obra entre Santana de Parnaíba e São Paulo custará US$ 97,2 milhões, cerca de 45% menos que o previsto pelo projeto inicial.
O governo gasta cerca de US$ 2 milhões por ano com o desassoreamento do Rio Tietê. Segundo, o Thame, a canalização do Córrego Cabuçu de Baixo e os piscinões da Bacia do Tamanduateí devem diminuir a quantidade de areia e lixo despejada no Tietê por esses afluentes. Tanto um quanto outro tem velocidade de água maior que o Tietê e acabam lançando mais areia e lixo que ele consegue arrastar.
Até o fim do próximo ano, o secretário espera iniciar a construção de outros 15 piscinões na bacia do Rio Tamanduateí. "As várzeas dos rios e córregos foram ocupadas e agora precisamos construir várzeas artificiais", disse. Crítica - Hoje, em Brasília, o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), aproveitou a posse do Secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano, Sérgio Cutolo, para criticar os administradores públicos que, segundo ele, deixaram a cidade indefesa diante das chuvas. "Certamente porque defesas não foram preparadas a tempo", disse. (Colaborou Isabel Braga)

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