Secretário prevê superação de metas, mas sugere cautela
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 14 (AE) - O secretário-executivo do Ministério do Orçamento, Martus Tavares, afirmou hoje que, se persistir a recuperação da economia sinalizada pelo crescimento de 1,02% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, o País atingirá mais facilmente as metas fiscais acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Tavares disse que a continuidade no crescimento levará à elevação da arrecadação, mas advertiu que a retomada deve ser encarada com cautela, para que se possa verificar se é persistente e consistente.
"Sem dúvida, se confirmada essa persistência no crescimento, melhora a arrecadação e, consequentemente, teremos mais tranquilidade para cumprimento das metas fiscais", afirmou Tavares, pouco antes de um almoço com a cúpula da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).
Ele ressaltou que, mesmo que a retomada da economia se confirme, as metas fiscais do governo continuarão a ser as que foram combinadas com o FMI. A recuperação econômica, para o secretário, deverá levar a um recuo no PIB menor que o previsto.
Tavares afirmou não considerar erradas as previsões (não confirmadas) de recessão mais profunda que chegaram a apontar a possibilidade de a economia brasileira diminuir até 4% em 1999. "Não se trata de erro, trata-se de fazer estimativas para a frente num contexto de muita incerteza. Então, é normal acontecer esse tipo de coisa", disse ele.
O secretário lembrou que as previsões mais pessimistas do que a realidade foram feitas não só pelo governo, mas também pelas empresas. "Foi mais ou menos como o ocorrido com os índices de inflação, que estão abaixo do esperado", disse.
Lei - O secretário-executivo afirmou também que o texto do projeto de Lei de Responsabilidade Fiscal, enviado pelo governo à Câmara dos Deputados, poderá ser mudado, em negociações com os parlamentares. "A proposta teve uma discussão ampla antes do envio ao Congresso, com governantes estaduais e municipais, com a sociedade, e isso vai se aprofundar no Congresso", explicou.
"Evidentemente, há sempre possibilidade de melhora e aperfeiçoamento." Tavares disse que esta semana foi instalada na Câmara a comissão especial que vai examinar o projeto e ressaltou que o Executivo está aberto ao debate.


