Secretário nega o uso de violência
Benê Bianchi
De Londrina
O secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Manoel Martins de Oliveira, negou ontem que tenha ocorrido violência nas desocupações efetuadas no Noroeste do Estado. Segundo ele, na Fazenda Figueira houve resistência por parte dos sem-terra, gerando reação dos policiais. Três PMs foram feridos à bala, afirmou. O secretário não tinha informações sobre o calibre da arma que atingiu os policiais. Quanto ao uso de bala de borracha na operação, Martins informou que é permitido desde que haja autorização expressa do secretário.
Ao todo, cerca de 550 sem-terra foram retirados das áreas ocupadas, com a mobilização de 200 homens. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública, só em Figueira havia 80 homens, 70 mulheres e 212 crianças. A área era um ponto de concentração do MST para, a partir dali, os integrantes do movimento reiniciarem as invasões das áreas já desocupadas, disse o secretário. Ele ainda informou que na Fazenda Figueira foi encontrado um grande arsenal de armas, inclusive armamento pesado, como fuzil e pistola, coquetel molotov e bomba de cal.
Foi onde encontramos o maior número de armas até agora, afirmou Oliveira. Segundo ele, não é possível precisar o total de armas encontradas porque a PM fazia o inventário ontem à tarde e tinha informações de que havia ainda uma grande quantidade enterrada longe do acampamento.
O grande número de crianças na área, segundo o secretário, seria para utilizá-las numa barreira para impedir a entrada da polícia na fazenda.Eles começaram a fazer a barreira, mas a polícia agiu rápido e impediu, disse.
O secretário ainda refutou a informação de que a PM tenha impedido o trabalho da imprensa no local do despejo. Segundo ele, foi feito o isolamento da área para garantir a segurança de todos.
O assessor especial para assuntos fundiários da Secretaria da Casa Civil, Antonio Carlos Coelho, informou ontem que existem ainda cerca de 40 mandados de reintegração de posse para ser cumpridos no Estado. Ele não falou em cronograma, alegando que as reintegrações são realizadas pelos Batalhões regionais e que o trabalho depende da disponibilidade de cada um deles.





