O secretário da Saúde do Paraná Armando Raggio disse ontem que não acredita que os anestésicos neocaína e marcaína sejam os responsáveis pelo surto de meningite que causou quatro mortes e provocou 25 casos suspeitos no Paraná. ‘‘Particularmente, não acredito que o anestésico seja o causador desses casos de meningite’’, adiantou-se o secretário.
Raggio disse que as reações negativas da anestesia podem estar relacionadas à constituição da pessoa submetida ao anestésico. O secretário reforça seu argumento na quantidade mínima de casos da possível contaminação, diante do número elevado de pessoas submetidas a esses anestésicos nos hospitais de todo o País.
Mas a Secretaria Estadual de Saúde do Paraná está aguardando o laudo do Instituto Nacional de Controle de Qualidade de Saúde (INCQS), da Fundação Instituto Oswaldo Cruz do Rio (Fiocruz/Rio). O laudo deverá ser divulgado nos próximos dias. O Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, já realizou análises para apurar as mesmas suspeitas e descartou a contaminação dos anestésicos.
Em função das suspeitas, a comercialização dos anestésicos está suspensa em todo o Brasil desde outubro do ano passado. Outros 46 casos semelhantes estão sendo investigados no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. ‘‘Existe um compromisso dos laboratórios de que só voltem a comercializar após o laudo do INCQS’’, adiantou o secretário Raggio.


Fiocruz deve
divulgar laudo
dentro dos
próximos dias

Onze lotes, com 30 mil anestésicos cada, foram recolhidos para análise. O secretário está aguardando o laudo do INCQS para definir um procedimento e padronizar a conduta dos hospitais paranaenses em relação a aplicação dos anestésicos.
A neocaína é fabricada pelo Laboratório Cristália, localizado em Itapira (SP). ‘‘É um laboratório muito respeitado, o maior fabricante de anestésicos do País’’, defendeu Raggio. Entre os produtos analisados também estão alguns lotes do produto marcaína, fabricados pela Astra, uma multinacional de medicamentos.
A posição do secretário paranaense não coincide com a da diretora da Divisão de Vigilância e Pesquisa da própria Secretaria do Paraná, Mariângela Galvão Simão. Ela apresenta um levantamento dando conta que parte dos lotes do anestésico fabricados até agosto de 96 teriam causado a meningite química. A base da suspeita da sanitarista foi a coincidência de casos de contaminação pós-cirúrgica.

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