São Paulo, 08 (AE) - O secretário municipal do Trabalho de São Paulo, Fernando Salgado, pediu demissão hoje após quatro meses no cargo. Ele foi um dos principais incentivadores da Frente de Trabalho, programa da Prefeitura para criar empregos e requalificar profissionais. Salgado encaminhou uma carta ao prefeito Celso Pitta (sem partido) com o seu pedido de demissão, alegando que "alterações na proposta original (da Frente de Trabalho) afetam gravemente o seu sentido".
O secretário de Comunicação Social, Antenor Braido, afirmou que ainda não foi definido quem assumirá o cargo. Segundo ele, o prefeito deve aguardar que a Força Sindical indique um nome. O secretário de Governo, Carlos Augusto Meinberg, ficará responsável pela pasta até uma definição.
A demissão de Salgado já vinha sendo esperada havia algumas semanas, quando começaram a surgir discordâncias entre ele e Meinberg sobre o andamento da Frente de Trabalho. Um dos principais motivos teria sido a demora da Prefeitura em contratar uma entidade para ficar responsável pelos cursos de requalificação profissional e de treinamento dos candidatos. Além disso, a falta de recursos para o programa teria atrapalhado o trabalho de Salgado.
Outro motivo de desentendimento foi a demora demora do prefeito em regulamentar o Programa de Renda Mínima. O projeto destina o pagamento de um salário mínimo para famílias desempregadas, com filhos até 14 anos matriculados em escolas públicas. "O programa foi um acordo meu com o prefeito e vai sair", repetia Salgado.
O projeto continua no papel. O vereador Arselino Tatto (PT), autor do texto original, disse que pretende entrar na Justiça caso a Prefeitura não o regulamente até o fim do mês. Segundo ele, o programa poderá beneficiar cerca de 800 mil pessoas.
Pitta enviou nota à imprensa depois do pedido de demissão de Salgado. O prefeito garante que os Programas da Renda Mínima e da Frente de Trabalho continuarão prioritários. Disse ainda que a responsabilidade na instituição de ambos é dele. "Cabe-me a responsabilidade sobre esses projetos e não me faltam, de fato, disposição e vontade política para tanto." Na segunda-feira, começa a primeira fase da Frente de Trabalho, com o início de cursos da própria Prefeitura para 6,5 mil trabalhadores.
Salgado não foi encontrado para comentar sua demissão. Seus assessores informaram que ele havia ido para o Rio, onde descansaria na casa de parentes. Ele deve reassumir um posto na diretoria do Centro de Solidariedade do Trabalhador da Força Sindical.

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