Santos, SP, 26 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) afirmou hoje em Santos, no litoral paulista, que não dá para comandar o espaço e o tempo em que a chuva cai. "É possível melhorar a situação, mas acabar com a enchentes é inviável", disse. Em São Paulo, o secretário de Vias Públicas, André de Fazio, afirmou que as enchentes de hoje foram causadas pelos rios "do Estado". "Os piscinões do Município ajudaram a minimizar os problemas dos rios estaduais".
O Córrego Aricanduva, na zona leste, segundo ele, transbordou porque o Rio Tietê estava cheio. O Rio Tamanduateí o havia sobrecarregado. Os outros afluentes do Tietê acabaram por não ter como desaguar nele. Ao contrário, receberam o refluxo de suas águas. "Os piscinões do Caguaçú e do Limoeiro (na Bacia do Aricanduva) retiveram o equivalente ao volume de água do Lago do Ibirapuera", disse.
Segundo Fazio, o problema vai continuar ocorrendo enquanto o Estado não concluir as obras de rebaixamento da calha do Rio Tietê e os piscinões do Tamanduateí. Para Covas, mesmo os seis piscinões construídos no Tamanduateí e os outros seis que pretende concluir este ano não serão capazes de conter as chuvas fortes. "O piscinão é feito para suportar uma chuva de 80 milímetros, mas se ela for de 100 milímetros não tem piscinão que aguente". Calha - A primeira etapa da obra de rebaixamento da calha do Tietê está atrasada e deve estar concluída, segundo o superintendente do Departamento de água e Energia Elétrica (DAEE), José Bernardo Ortiz, em setembro, quando a previsão era de que estivesse terminada no fim do ano passado. O atraso ocorreu, segundo ele, por causa de problemas jurídicos e operacionais.
A segunda etapa da obra, no trecho do rio que passa pela capital, ainda nem começou a ser feita e também está atrasada. O governo do Estado espera por uma autorização do governo japonês para usar na segunda etapa o saldo de R$ 300 milhões que deixou de gastar na primeira. Como a cidade quase não tem áreas permeáveis, que permitam que o solo absorva e retenha parte da água da chuva, os córregos enchem muito rápido. Canalizados, eles levam a água com maior velocidade para os Rios Tietê e Pinheiros, que não têm vazão suficiente e acabam transbordando.
O rebaixamento da calha do Tietê vai funcionar, segundo Ortiz, para dar maior velocidade ao seu leito. "Seu desnível é de 15 centímetros a cada quilômetro, o que faz dele um rio lento". Os piscinões fazem o papel de uma várzea artificial, acumulando o excesso de água para que os rios e córregos não tenham suas capacidades ultrapassadas. O Município tem seis piscinões. Um deles, o da água Espraiada, funciona com 70% de sua capacidade. Fazio garante que ele estará concluído em março e que outros quatro piscinões serão construídos este ano. O Estado, além dos piscinões do Tamanduateí, espera concluir até o fim do ano duas barragens em Salesópolis com capacidade equivalente a 350 piscinões para conter o Tietê. "O que ajudará a combater enchentes", disse Ortiz.

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