Rio, 14 (AE) - O secretário-geral do Diretório Nacional do PT, deputado Arlindo Chinaglia (SP), integrante da comissão nacional de auditoria no processo de filiações do partido no Rio
afirmou que o trabalho de investigação interna está sendo realizado com o objetivo de "limpar" a legenda de "tudo o que fere a ética e o regimento do partido".
Ele referiu-se às irregularidades idenficadas em cerca de mil fichas de filiações ao PT. Segundo o presidente do diretório municipal, André Braga, foram idenficadas adulterações
falsificações e ausência de assinaturas em parte das fichas. Ao tomar conhecimento do problema, Chinaglia veio ao Rio para acompanhar o início da auditoria.
O PT carioca começou a investigação nas 13,5 mil filiações outubro. O objetivo é detectar fraudes no processo protagonizado por facções em luta para vencer as convenções de 1999, nas quais serão eleitas as direções que dirigirão a legenda em 2000, ano eleitoral. A comissão, formada por Chinaglia e pelos secretários de Organização, Joaquim Soriano, e sindical, Delúbio Soares, vai reunir-se novamente na cidade na segunda-feira (19) para receber o relatório de auditagem que está sendo preparado pelo PT do Rio e decidir sobre a anulação das filiações.
As dificuldades e os prazos levam parte do partido a especular que, talvez, não haja convenção na capital este ano. Somente no dia 7, prazo final de filiações para petistas que queiram participar das convenções de 1999, foram entregues ao PT carioca cerca de 10 mil fichas com novas adesões (que representariam um aumento de cerca de 50% no número de filiados na cidade). Segundo Braga, 5 mil fichas foram apresentadas pela tendência Articulação; 3,5 mil, pelo grupo Opção Popular (ligado ao deputado Carlos Santana); 1 mil, pela ala cristã-socialista, liderada pelo vereador Adilson Pires, e 400, pela facção Refazendo, que congrega a esquerda petista no Estado.
"Estamos checando cada ficha para ver se está completa, se falta o número do título de eleitor, se está assinada, se tem rasuras ou qualquer tipo de indício que venha a comprometê-la", disse Braga.
Segundo ele, só na contagem das novas fichas, foram descobertas cerca de mil filiações suspeitas. A auditoria está sendo feita por dirigentes do PT no Estado e na capital ligados a cinco tendências. O Refazendo e outros grupos acusam a Articulação, liderada pela vice-governadora Benedita da Silva, de ter usado a máquina estadual para filiar.
Como o partido decidiu que em 1999 só fará na capital convenções por diretórios zonais, os filiados que votariam em cerca de 60 núcleos sindicais e temáticos estão sendo redistribuídos, tornando ainda maior a possibilidade de problemas no fechamento das listas de petistas aptos a votar. Para o trabalho, foram alugados dois computadores e contratados digitadores, mas há dúvidas sobre se será possível o encerrar até o dia 21, prazo final estabelecido nacionalmente. Se não houver convenção, o mandato da direção municipal expira-se e o diretório nomeará uma comissão provisória.
Chinaglia, Joaquim Soriano e Soares avisaram que os prazos não serão prorrogados. "É uma decisão do diretório nacional", disse Chinaglia. "Existe uma regra que é nacional; não estamos aqui para constatar problemas, mas para os resolver." A comissão colheu, no Rio, depoimentos e documentos sobre 28 núcleos sob suspeita de ser fantasmas (outros 107 foram anulados pelo diretório nacional) e vai anunciar, também na segunda-feira, quais serão considerados válidos. Chinaglia, no entanto, descarta a possibilidade de a convenção não ser realizada este ano.

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