Secretário espera inflação abaixo de 15%
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Suzana Santos 
Rio, 19 (AE) - O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, espera que a inflação deste ano fique abaixo de 15%, índice inferior à projeção de 16,8% citada nos termos do acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele explicou que os últimos índices de inflação divulgados já mostram um cenário mais positivo do que as análises feitas há um mês e que indicavam a perspectiva de forte alta nos preços ao consumidor. "Havia expectativa de índice maior e ele foi menor", argumentou.
Considera disse que os números novos, como o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), que mostra desaceleração nas remarcações, foi um surpresa para o próprio governo. "Temos de começar a refazer os cálculos", disse.
Estes novos cálculos, que o secretário informou que começaria a fazer hoje mesmo, indicará novas projeções de inflação para o ano. Uma das estimativas do governo é de que a partir do segundo semestre taxa média de inflação será de 0,5% ao mês.
A decisão de o governo reduzir o imposto de importação de 180 produtos para aumentar a competitividade interna e inibir aumentos exagerados será mantida, apesar do recuo nas remarcações de preços, segundo Considera. "Tem de tornar isso efetivo", afirmou.
O secretário disse que o objetivo é aumentar de concorrência e que o governo não fará revisão da medida. A lista de produtos, que será anunciada na próxima semana, não terá bens de consumo direto, como alimentos, ou máquinas e equipamentos. Os itens incluídos são matérias-primas, para evitar a pressão de aumentos de custos para as indústrias brasileiras.
Lista - Considera explicou que a redução do imposto de importação será feita a partir da reformulação da lista de exceções formulada para os países do Mercosul em relação à Tarifa Externa Comum (TEC) fixada para o comércio dos parceiros com países de fora do bloco. A lista de exceções, que inclui até 300 produtos, inclui produtos tanto com tarifas superiores à TEC
como alíquotas inferiores.
Cerca de 90 produtos serão retirados da lista de exceções para dar espaço para a inclusão de outros 90 produtos. Os que serão excluídos têm hoje alíquota média de importação de 26%, que cairá para 16%. Os outros 90 itens que entrarão na listas de exceções, que chegam em média a serem taxados em 17%, passarão a alíquota de 8,5%.
Segundo o secretário, até existem alguns poucos produtos que têm consumo direto mas, segundo ele, serão retirados da lista para abrir espaço para outros produtos serem incluídos. O objetivo é garantir competitividade no mercado e aliviar a pressão do aumento de custos de matérias-primas para as indústrias. Considera disse ainda que trabalha com uma desvalorização nominal no câmbio entre 20% e 30%.


